*por Diego Brugiolo

Desde a primeira vez que vi o programa “O Aprendiz” gostei muito do formato e da quantidade de lições que podemos absorver. Ver profissionais enfrentando situações desafiadoras e depois recebendo valiosos feedbacks é algo totalmente enriquecedor, mas que muitas vezes não é percebido por quem é acostumado a assistir TV por pura inércia ou passatempo.

Podem chamar de enlatado americano, falar mal do excesso de merchan nas provas patrocinadas, ou do extremo rigor de Roberto Justus e seus conselheiros, mas uma coisa não podemos negar: a cada episódio tomamos um banho de lição profissional e de conhecimento.

Foi por isso que resolvi anotar alguns pontos que me fizeram refletir e aprender com Roberto Justus, seus conselheiros e com os próprios Aprendizes.

Aviso: muitos pontos observados durante o texto servem para aquelas pessoas que têm vontade de fazer a diferença, se destacar no mercado. Portanto, se você é daqueles que preferem fazer o arroz com feijão todos os dias, nem continue a leitura.

Caso você tenha perdido os últimos episódios de Aprendiz – O Retorno, recomendo que você os assista antes de continuar lendo este texto:

9 lições profissionais aprendidas com o programa APRENDIZ – O Retorno

aprendizados de aprendiz o retorno

A importância do planejamento

É preciso dedicar um tempo ao planejamento (sem exagero). 

 Toda ação, tarefa ou projeto precisa de um planejamento. Não importa onde será feito. Em muitos casos, uma folha de papel e uma caneta servem para organizar pensamentos, anotar as dificuldades e traçar metas.

[pull_quote_right]Vai cortar uma árvore? Então dedique um tempo para afiar o machado.[/pull_quote_right]

Quando se trata de um trabalho em equipe, geralmente, o brainstorm precede o planejamento. É o momento de juntar a turma e fazer uma tempestade de ideias, como o próprio nome diz. Vai cortar uma árvore? Então dedique um tempo para afiar o machado. História conhecida por muitos, mas praticada por poucos.

É importante estar atento à divisão do tempo, entre planejamento e execução. Segundo o conselheiro Walter Longo, se a “big idea” (grande ideia) não surgir em 2 horas, não adianta insistir. As pessoas estarão cansadas e o rendimento não será o mesmo. Isso também vale para outros tipos de reuniões, que devem ter horário para começar e terminar.

O líder deve ser firme

Só tome cuidado para não desmotivar sua equipe. 

Em muitos casos, quando algo de errado acontece, não adianta fazer escândalo ou perder a cabeça. O problema está ali e precisa ser resolvido da melhor maneira possível.

Se você quer ser um líder, ou pelo menos um bom profissional, precisa ter inteligência emocional e canalizar toda a energia na resolução da questão e não em discussões e acusações desnecessárias para o momento.

Durante o programa, quando Evandro foi líder em uma das tarefas, preferiu não chamar a atenção de sua equipe durante a prova por causa de um erro sério. Entendeu que seria melhor tratar do assunto em outro momento, com calma, para que não afetasse o grupo. Na sala de reunião, Roberto Justus concordou com a postura, mas fez uma ressalva, dizendo que o líder precisa mostrar que houve um erro, que aquilo não foi legal e que precisa ser corrigido, e não simplesmente fingir que nada aconteceu e que está tudo bem.

Saber se expressar

Se esforce para ser uma pessoa comunicativa.

Durante nossa vida, tanto pessoal quanto profissional, passamos por situações onde a capacidade de se comunicar pode fazer toda a diferença.

Não estou falando de conversas pela internet, onde qualquer um consegue elaborar argumentos dignos de advogados e filósofos. Estou falando do cara a cara, do olho no olho, a comunicação interpessoal sem qualquer ferramenta como escudo da timidez.

Se você tem dificuldade em se comunicar, procure resolver. Faça aulas de teatro, use o bate-papo com os amigos como uma forma de treinamento. Cursos de oratória também são válidos, principalmente para as pessoas com dificuldade de falar em público, o que é outro ponto importante da comunicação pessoal. “Ao persistirem os sintomas, o psicólogo deverá ser consultado”.

Em muitas situações, principalmente durante as salas de reunião, Roberto Justus dava a oportunidade de o participante “se vender” ou simplesmente se defender. Alguns o faziam com maestria, outros nem tanto. Seu poder de argumentação pode ser determinante para o sucesso nas discussões do cotidiano profissional. Leia a interessante lógica do papel higiênico.

Saber vender e negociar

A vida é uma grande negociação.

Nas tarefas de todas as edições do programa “O Aprendiz”, em algum momento, foi preciso vender/negociar um produto ou serviço. Em alguns casos, o aprendiz precisou “vender” a si mesmo, mostrando suas qualidades e defendendo a sua permanência no programa.

[pull_quote_right]Se você não gosta de vender, aprenda a gostar.[/pull_quote_right]

Este é mais um ponto que deveria ser trabalhado obrigatoriamente em escolas e faculdades. No mundo dos negócios, todos os dias e o tempo todo, convivemos com negociação e vendas. Seja com clientes, fornecedores, parceiros e os próprios funcionários. Se você não gosta de vender, aprenda a gostar. Ou pelo menos estude o suficiente para chegar ao famoso estado de “ganha-ganha” em uma negociação, onde ambas as partes ganham.

Procure sites e artigos sobre o tema e também livros. Obviamente existe uma infinidade de obras sobre estes temas, mas resolvi indicar aqui duas obras que já li e recomendo: “A bíblia de vendas” de Jeffrey Gitomer e “O poder da persuasão” de Robert B. Cialdini.

Desenvolva o seu poder de negociação.

Saber perguntar

As escolas deveriam dar notas também para boas perguntas.

Além de saber responder, você também deve aprender a perguntar. Ao conversar com pessoas, negociar e liderar equipes, é importante saber elaborar as perguntas de forma correta.

Uma boa pergunta é aquela que vai direto ao ponto, sem rodeios, que consegue extrair a informação necessária do seu interlocutor.

Durante as salas de reunião, em vários momentos, Roberto Justus pedia para que os candidatos fizessem perguntas uns aos outros. Caso fossem bem feitas, com certeza somariam pontos na avaliação do apresentador e de seus conselheiros.

Outra situação que aconteceu durante a prova dos Hostels (prova patrocinada pelo SEBRAE) foi o feedback dado pela participante Renata Tolentino à sua parceira de equipe Melina, em que ela explica a importância de não sugestionar ou induzir as respostas, se limitando a apenas perguntar e deixar que o cliente responda.

Ter ênfase é fundamental

Ser enfático é o primeiro passo para o convencimento.

Este é um fator que também faz parte da boa comunicação. Em uma reunião ou brainstorm é normal que surjam opiniões contrárias, fato este que é até benéfico para confrontar ideias e pontos de vista.

Quando todo mundo concorda com tudo logo no início, é sinal que o resultado pode não ser tão bom. – OK! Mas onde entra a ênfase nessa história? – Vejo basicamente em dois aspectos: (1) Ao dar uma opinião ou ideia você deve ser firme, o famoso “vender seu peixe” e não apenas jogar a ideia na mesa; (2) Caso o resultado caminhe para uma direção que você tem certeza que esteja errada, mesmo após ter argumentado contra, se posicione deixando claro que você não deixará de apoiar o grupo, mas também não concorda com a decisão que foi tomada.

Na prova do Smiles, o participante Lucas chegou a discordar da estratégia do grupo, mas não foi enfático o suficiente para fincar a bandeira do “não concordo”. Mais tarde, durante a sala de reunião, foi criticado por conta desta omissão. Roberto Justus disse que, se ele tivesse demonstrado tal personalidade, poderia ser salvo já na primeira parte da sala. Outras situações parecidas também aconteceram durante o programa, com todos sendo advertidos nas reuniões.

Agarre as oportunidades com unhas e dentes

No episódio 13, Justus deu aos participantes Maitê e Solano a oportunidade de assumirem seu lugar no comando da sala de reunião, tendo carta branca para fazer o que quisessem, inclusive usar os conselheiros para consultas. Porém, os dois participantes não souberam aproveitar, se limitando a discutir um com o outro, da mesma forma que todos sempre fazem quando estão sentados em seus lugares habituais.

Ao final do programa, Justus confessou que se um deles tivesse a perspicácia de apontar as falhas do concorrente e “demiti-lo”, isso poderia ser determinante para a decisão em manter essa pessoa na disputa do programa.

Walter Longo ainda completou explicando sobre a “síndrome do papel em branco”, onde a pessoa acaba pensando pequeno diante de um infinito de possibilidades a serem exploradas.

Assuma seus erros

Na sala de reunião mais polêmica da edição de Aprendiz – O Retorno, o participante Evandro foi demitido por tentar facilitar a compra de cerveja por um menor de idade. Prática altamente criticada e recriminada por Roberto Justus e seus conselheiros.

Mesmo com todas as gravações mostrando sua tentativa de cometer tal ato ilícito, Evandro não assumiu seu erro. Pelo contrário, ainda inventou algumas desculpas descabidas para tentar justificar seu erro.

Se ele tivesse assumido o erro assim que foi confrontado com a verdade, talvez pudesse ter sido salvo na sala de reunião.

Um pouco de rebeldia é melhor que a total passividade

Prefira sempre errar pela ação e não pela omissão. Mas tenha cuidado, seguir este pensamento não significa ser inconsequente. Use o seu bom senso para poder dosar a sua rebeldia e a sua cautela, para que isso não venha a gerar grandes problemas para você.

Ser passivo é um erro comum nos profissionais sem preparo que vemos nas empresas hoje em dia. Esta postura depõe contra o profissional e faz com que seus superiores o vejam como inerte, sem vontade e, muitas vezes, acomodado.

Rodrigo Solano foi o participante mais criticado por esta postura durante o programa Aprendiz – O Retorno. Em quase todas as provas ele preferiu ser mais coadjuvante do que protagonista, preferindo acertar pela escassez e não pelo excesso.

Dicas bônus!

Conheça o produto e a empresa para qual vai trabalhar

Um mínimo de estudo deve ser feito antes de iniciar um planejamento e execução.

O líder deve ser firme, direcionar a equipe e não deixar “correr solto”

O participante Nakau foi eliminado por isso.

Cuide muito bem da marca do cliente

Na prova da Itaipava Light, por exemplo, a equipe vencedora fez um ótimo trabalho com a identidade visual da marca. Fato este que colaborou positivamente para o sucesso na prova.

Aprenda a trabalhar sob pressão

Em muitos casos o tempo é curto e a cobrança é grande. Quanto menor o tempo disponível para a realização de uma tarefa, maior será sua urgência e, consequentemente, maior será a cobrança por parte dos superiores.

Não tenha medo de discussões e embates

Enfrente a tensão e encare todas as situações como se fosse “matar ou morrer”.

Não abandone uma meta antes do tempo

Ao traçar uma meta, persiga com foco e dedicação. Não deixe que as pequenas conquistas no meio do caminho deslumbre a equipe e também não desista diante das dificuldades.

O bom é inimigo do ótimo

Frase muito dita por Walter Longo e Roberto Justus. Quer dizer que, muitas vezes, é melhor se contentar com o bom do que tentar o ótimo e acabar atingindo o ruim, seja por falta de tempo ou até mesmo competência para executar algo brilhante.

E você, o que achou destas dicas? Conhece outras que gostaria de compartilhar conosco? Deixe um comentário no campo abaixo e nos diga o que mais você aprendeu assistindo ao programa Aprendiz – O Retorno. Participe!

*Diego Brugiolo (@diegobrugiolo) – Formado em Informática e Pós-graduado em Marketing. Atualmente trabalha com Marketing Digital, além de Sócio e Diretor Comercial da @SocialStormBr.

5 COMENTÁRIOS

  1. Bom texto Diego, eu acrescentaria ainda a postura firme que a Renata teve na final, quando disse que queria falar uma coisa e o Roberto disse que não era a hora e ele insistiu. Foi quando ela falou sobre a wikipedia e ela ser a líder que nunca perdeu nas edições que participou e a campeã em número de lideranças. Nessa consideração houve um grande risco por parte dela, sendo o wikipedia a fonte, poderia ter sido criticado pelo Justus, e mesmo assim quis dizer, assumindo o risco ela teve a “sorte” de ser bem interpretada, mesmo a fonte sendo wikipedia.

    • Obrigado Janaína! Boa observação, ela foi firme mesmo… e acho que o Justus acabou gostando disso também, por isso até permitiu que ela continuasse falando.

  2. Boa noite,

    Excelente artigo. Deixo aqui minha satisfação em poder ter acesso a um conteúdo de extrema relevância dentro de um nicho tão pouco explorado na internet. Nota dez mesmo.

    Abração.

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