Por William Mazza*

Não há dúvidas de que os trainees são contratados para exercer papéis de liderança em suas empresas. Por isso, na onda do maior evento futebolístico do planeta, é importante observar como alguns líderes se comportam e comparar com o que se deve ou não fazer quando o assunto é gestão de equipes.

Começo com o gentil e bonachão Parreira. O brasileiro, como sabemos, teve a missão de dirigir a seleção anfitriã na Copa: a África do Sul. O resultado, como esperado, foi pífio. Mas o que mais me chamou a atenção foi a atitude do treinador. Bem antes do torneio, ele já se referia às limitações da equipe e às dificuldades que os africanos enfrentariam. Esse é um erro comum, mas é importante lembrar que se o líder não acreditar em sua equipe, fatalmente os liderados também não acreditarão. É preciso conduzir visando o melhor desempenho sem antecipar eventuais fracassos.

Outro que já voltou para casa foi o italiano Fabio Capello, treinador da Inglaterra. Em minha opinião, cometeu dois erros crassos. Um deles foi ter colocado o goleiro “frangueiro” Robert Green no banco pelo mau desempenho na estréia. Punir um jogador, como se fosse o único culpado, pelo resultado frustrante da equipe é uma injustiça de prejuízo geral, pois todos estão sujeitos a erros. Segundo, manteve um craque na equipe mesmo completamente apagado nos jogos, só por sua fama de bom jogador. Isso demonstra um favoritismo letal para um time que pretende ser vitorioso.

É claro que vou falar sobre o nosso Dunga. Seu estilo autoritário e de poucos amigos não o fazem muito querido. É do tipo que não pode ser contrariado e adora proibir isso e aquilo de seus comandados. Pode ser que seja campeão (torço por isso!), mas quem já teve chefes como ele sabe que o estresse do dia a dia quase apaga o sabor das vitórias.

Por fim, termino com o personagem mais carismático da Copa: Maradona. Gênio dos gramados, demonstra grande capacidade de liderança. Encarna o tipo de líder confiante, vibrante e companheiro. Em campo, seus gestos mostram a vontade de ser o 12º jogador. E o carinho com que trata a equipe é notável.

A pergunta óbvia é: “qual o melhor?”. Não existe resposta precisa. Depende. Há empresas que gostam dos capellos, outras querem dungas ou maradonas. O importante é você estar naquela que gosta e valoriza o seu estilo, de forma a não se frustrar.

E lembre-se de que o melhor não é aquele que ganha a Copa do Mundo, custe o que custar. O líder precisa alcançar resultados sustentáveis e não vitórias raras e isoladas. Pense nisso quando for a sua vez.

*William Mazza é engenheiro formado pela USP e ex-trainee. Siga-o no Twitter: @wmazza

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