por Rubens Fava*

Há muitos anos um esquimó de uma aldeia da Groelândia trabalhou numa importante expedição exploratória ao Pólo Norte. Como recompensa pelo excelente serviço prestado, o esquimó foi levado a conhecer Nova Iorque.

O nativo deslumbrou-se.

Para quem nunca saíra de sua aldeia gelada, aquele espetáculo de luzes, arranha-céus, sons, deixou-o extremamente fascinado.

Alguns dias depois, ao voltar para casa, tentou descrever a exuberância do que viu. Pontes imensas, veículos sem tração, luzes coloridas, prédios que se perdiam no céu. . .

O pessoal da aldeia ouvia a história, mas mantinha olhar frio, ar de incredulidade. Não acreditavam em uma só palavra dita pelo companheiro.

Por isso, ele passou a ser conhecido por “sadluk” – que significa mentiroso. Ninguém mais o chamou pelo nome. O apelido o acompanhou até a morte.

Quando o cientista e explorador Knud Rasmussen fez, anos depois, a famosa viagem da Groelândia até o Alasca, acompanhava-o um esquimó chamado Mitek (Pato Selvagem). Depois da jornada, Mitek foi convidado a conhecer as cidades de Copenhague e Nova Iorque.

Encantou-se, também, pelo que viu. Ao voltar para sua aldeia, lembrou-se da tragédia de Sadluk e pensou não ser prudente descrever exatamente o que viu.

novas idéias

Decidiu contar histórias que seu povo pudesse compreender. . . e acreditar.

E assim fez.

Contou que o pesquisador Rasmussem mantinha, em Nova Iorque, um caiaque às margens de um grande rio, o Hudson. Juntos saíam de manhã para caçar.

Patos, gansos e lontras existiam em grande quantidades em Nova Iorque e eles se divertiam muito.

Salvando sua reputação. Mitek, aos olhos de seus conterrâneos, é um homem honesto. Seus amigos o tratam com todo o respeito.

Como é árdua a estrada daqueles que trazem novas idéias. Muitos de nós, nos colocamos contra o novo, fechando o espírito às novas idéias.

Se não procurarmos agir de forma diferente, sendo receptivo às novas idéias, o espírito se torna acanhado, estreito e fechado. Encolhe-se e vai. Seguramente ficará para trás.

Como sabemos nenhuma matéria prima é mais relevante para a empresa, seja qual for o ramo em que ela atue, do que as idéias.

Mas, trazer novas idéias nem sempre é possível, assim, o maior problema que enfretamos nunca é como trazer idéias novas e inovadoras e, sim, como tirar as idéias velhas de lá.

E de onde vêm as boas idéias novas?

Eu diria que vêm das diferenças, vem da criatividade quem vem de justaposições improváveis. Uma idéia nova é boa quando é eficaz e pode ser a competência essencial mais valiosa que uma organização inovadora pode esperar ter.

Quantos Mitek encontramos pelos caminhos de nosso mundinho corporativo que, mesmo tendo excelentes novas idéias, as guardam para si.

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*Rubens Fava é formado em Ciências Econômicas e Administração com ênfase em marketing, especialização em Productivity Improvement pelo JPC – Japan Productivity Center for Sócio-Economic Development – Tókyo – Japan, mestre em Administração pelo ESADE de Barcelona ES e doutorando em Engenharia de Produção pela Universidade Federal de Santa Catarina – USFC.

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