Abordamos mais uma vez aqui o tema inovação, dessa vez voltada para Micro e Pequena Empresas, as famosas MPE´s.

Alguns afirmam empiricamente que em função da incipiência destes empreendimentos, questões como inovação e conhecimento ficam à margem do processo. Já outros, afirmam que não, que em detrimento do investimento nesta área a empresa galga novos patamares para viabilizar a permanência da empresa no mercado. Nada mais certo, mas como tudo na vida – e nos negócios – tem um porém, vamos à uma análise mais detalhada desta questão.

Recentemente houve uma reestruturação do modelo de organização produtiva, que possui graus maiores de flexibilidade e, consequentemente, facilita o processo de inovação, abrindo um leque de possibilidades competitivas para as MPE’s. Visto que os investimentos, no que se refere ao capital, não são obrigatoriamente altos, o que no passado era uma realidade.

Atualmente, as empresas possuem disponíveis inúmeras fontes das quais podem obter a inovação tanto para seus produtos quanto para seus processos. O autor Paulo Tigre cita, em termos gerais, seis grandes fontes de inovação, são elas:

  • Desenvolvimento tecnológico próprio – equivale às atividades de P&D (Pesquisa e Desenvolvimento), engenharia reversa e experimentações no ambiente de trabalho;
  • Contrato de transferência de tecnologia – se refere às licenças e patentes, bem como possíveis contratos com universidades (públicas ou privadas) e centros de pesquisa;
  • Tecnologia incorporada – está relacionado às possíveis máquinas adquiridas, bem como equipamentos e softwares;
  • Conhecimento Codificado – são os livros, manuais, as revistas técnicas da área, internet, eventos, feiras, aplicativos, cursos e programas educacionais próprios;
  • Conhecimento Tácito – são os conhecimentos oriundos de uma prática, podendo ser adquiridos por intermédio de consultorias, contratações, RH experiente, além de informações adquiridas tanto de clientes internos quanto externos;
  • Aprendizado Cumulativo – podemos dizer que é: colocar a mão na massa, ou seja, é aprender fazendo, interagindo, usando, recriando, mas sem esquecer jamais de documentar e difundir dentro da realidade organizacional.

A inovação nas MPE´s parte dos sócios, em geral com o objetivo de se valer das oportunidades presentes no mercado em que atua, bem como a entrada em novos mercados. Uma pesquisa realizada em MPE´s atuantes no interior do estado do Rio de Janeiro apontou algumas das fontes citadas por Paulo Tigre, tais como:

Produtos e Processos: Em geral, obtida através de seus colaboradores, com base no modelo “Inovação é trabalho de todos e todos os dias”, que em uma estrutura que apresenta menos complexidade possui suas vantagens de implementação.

Colaboradores: Como mencionado anteriormente, são, no caso das pequenas empresas, a principal fonte de inovação interna das MPE´s.

Aquisições: Esse ponto varia muito de empresa para empresa, dependendo das características em termos de processos ou de seus produtos. Em MPE´s voltadas para a produção de bens, a inovação por aquisição é feita principalmente por meio de maquinário e equipamentos para sua cadeia produtiva, bem como na aquisição de programas e softwares para ao negócio, a chamada tecnologia incorporada. Em empresas de serviços, essa inovação pode ocorrer basicamente por intermédio de utensílios e sistemas que aprimorem a prestação dos mesmos.

Clientes: Desde MPE´s até as grandes multinacionais, essa é a principal fonte de inovação em termos de produtos e serviços, uma vez que o atendimento das exigências do mercado é o objetivo maios a ser alcançado com a inovação. O conhecimento da demanda dos clientes sobre seus produtos e serviços é o ponto-chave para uma inovação de sucesso.

Intercâmbio e Parcerias: Outro ponto observado na pesquisa foi a troca de informações entre MPE´s do mesmo setor, em especial naqueles específicos em que se observa pouca oportunidade de capacitação no mercado, como no de aço inox, por exemplo. Assim, o famoso benchmarking, encontra-se presente em muitos relacionamentos entre MPE´s.

O que observa-se atualmente é a mudança no paradigma de que inovação é um processo exclusivo para empresas com exorbitantes capitais de giro. É um tácito exemplo de analogia ao “Dilema Tostines”: Empresas inovam porque possuem elevado capital de giro, ou possuem elevado capital de giro porque inovam mais?

Bem, não podemos cair na falácia de negar a grande importância de capital de gira no investimento em P&D no processo de inovação, principalmente em setores de mercado altamente competitivos e de custo elevado, como o de tecnologia, por exemplo. Mas, quando se trata de inovação, muitas vezes, podemos obter resultados satisfatórios sem a necessidade de investimentos faraônicos nesse quesito.

Uma questão a ser levantada é: Será que essa idéia de inovar sem grandes investimentos é realmente possível para todas as MPE´s?

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