por Henrique Bello*

Desde criança a nossa geração e as anteriores ouviam dizer que o Brasil é o país do futuro. O futuro finalmente chegou e hoje o Brasil é o país do presente.

A implantação do plano real estabilizou a economia brasileira deixando para trás o período hiper-inflacionário e de alta vulnerabilidade externa e preparou o Brasil para entrar em um novo ciclo econômico de crescimento sustentável, inflação controlada, melhoria nas contas públicas e de distribuição de renda.

Isso foi possível graças ao tripé política monetária, cambial e fiscal. A implantação do sistema de metas para inflação, o uso dos instrumentos de política monetária disponíveis pelo banco central (determinação da taxa básica de juros, compulsório e redesconto), a política cambial de taxa flutuante (que permite a geração de superávit comercial e aumento de reservas cambiais) e a política fiscal austera (possibilitando a geração do superávit primário e melhorias no balanço de pagamentos) foram as diretrizes de toda a política econômica bem sucedida dos últimos anos.

Paralelamente, importantes conquistas foram feitas nos últimos anos. Dentre elas, o aumento, a diversificação e as conquistas de novos mercados através de uma política externa colaborativa e multilateral em diversas frentes, a redução da vulnerabilidade externa através de políticas creditícias expansivas em momentos de crises internacionais (como em 2008) gerando liquidez e demanda doméstica e contribuindo para a manutenção de um ambiente de confiança aos empresários e administradores brasileiros, a mudança do status de devedor a credor do FMI, a ascensão ao status de grau de investimento pelas agencias de rating dentre outras.

Não há dúvidas que os empresários e administradores de empresas trabalham hoje em um ambiente de confiança, otimismo e principalmente previsibilidade.

Os fundamentos econômicos estão mais fortes; a inflação está controlada, nossa dívida soberana em relação ao PIB caiu e melhorou de perfil (desindexou- se), os mercados estão mais regulamentados e sob supervisão da autoridade monetária a fim de evitar que crises internacionais que certamente ocorrerão nos afetem como no passado, temos reservas elevadas que funcionam como uma barreira a tais crises apesar de seu alto custo de manutenção e a desigualdade social que apesar de ainda enorme está com viés de melhoria em função das políticas sociais de transferência de renda recentemente implementadas. A atividade econômica está a todo vapor com crescimento sustentável do PIB baseado em geração de empregos formais, aumento na renda e no crédito.

Em breve e principalmente devido à indústria petrolífera, o uso do termo “economia emergente” não nos servirá mais, tamanho a diversificação, força e atratividade de capital produtivo e especulativo da economia brasileira.

Apesar das conquistas, o novo governo se depara com muitos desafios. É notável que apesar da recente melhoria nas contas públicas, há um inchaço nos gastos públicos (manutenção da máquina e folha de pagamentos dos servidores) maquiado pelo aumento da arrecadação oriundo da formalização da economia e da criação de novos postos de trabalho. É consenso de que uma reforma fiscal deve ser prioritária na agenda e as diretrizes orçamentárias já começaram a ser revistas com o recente corte de 50 bilhões no orçamento.  A erradicação da pobreza também deverá ser priorizada e não deve ficar somente na retórica da nova administração. Trinta e dois milhões de brasileiros saíram da linha da miséria e foram alçados à condição de novos consumidores pelo último governo, porém ainda há cerca de 20 milhões abaixo dessa linha segundo o Instituto de pesquisa econômica aplicada (IPEA).

Além da reforma tributária, há ainda a previdenciária, a administrativa e a reforma política que avançaram muito pouco nos últimos anos, já que quem as vota é quem delas se beneficia e pode deixar de fazê-lo caso as mesmas se desengavetem.

A política monetária precisa continuar firme e severa para que o dragão da inflação outrora adormecido (e que abriu um dos olhos recentemente) não desperte de vez e em contrapartida os juros precisam cair através de cortes homeopáticos.

Há ainda que se avançar muito em termos de infra-estrutura. Nossos portos são rasos para padrões internacionais de comércio exterior e detêm índices inaceitáveis de tempo de carga e descarga, nossos aeroportos estão sucateados, e as ferrovias e rodovias em péssimo estado. É preciso que o plano de aceleração do crescimento (PAC) que até agora efetivamente foi executado em apenas 40% do previsto reforme e modernize a planta atual eliminando os gargalos e crie novos meios para o escoamento dos bens e serviços que crescem 7,5% ao ano.

As conquistas e desafios são muitos e a importância e o papel dos administradores de empresas e gestores eleva-se cada vez mais já que o processo de tomada de decisão dentro das empresas impacta não somente na produtividade, mas diretamente na qualidade de vida e no bem estar social das pessoas.

2 COMENTÁRIOS

  1. Falta o governos tratar as questões das reformas tributária, previdenciária, administrativa e política, como sendo questões de base para desenvolvimento. Não é necessário o investimento de bilhões, apenas o interesse e o tempo necessário para que nossos políticos tenham competencia e habilidade para tratar de assuntos fundamentais. E pressão da sociedade. Essas reformas, como o autor escreve, tiros nos próprios pés daqueles que mamam nos sangramentos corruptos que não nos impressionam mais.

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