O Marketing mudou. E você?

Postado por Gustavo Periard em 10/06/2008
Categoria: Marketing

Por Bruno Mello
bruno@mundodomarketing.com.br

Nelson Rodrigues sempre é citado para dizer que a unanimidade é burra, mas talvez possa haver uma exceção para o Marketing. Afinal, a cada dia que passa engrossa a lista de profissionais e empresas que são unânimes em olhar o mercado de outra forma, pois o mundo está em constante transformação, o consumidor mudou e as estratégias de Marketing também.

O que nos faz lembrar Nelson Rodrigues é que ainda há quem não tenha esta visão e erre justamente por não se enquadrar neste novo cenário. “Estamos vivendo uma quebra de paradigma”, afirma Alberto Cerqueira Lima, Presidente da Copernicus Marketing Consulting no Brasil, consultoria em estratégia das mais requisitadas pelas maiores empresas do país, como Oi e Ambev.

“O mundo é outro”, concorda Flavio Salles (foto), sócio-diretor da Sun-MRM. “O meio digital virou o Marketing de cabeça para baixo. O ambiente tecnológico inovou a forma como as pessoas se relacionam com as marcas”, comenta. “Todas as melhores práticas tiveram que ser revistas. Todo mundo está tendo que reinventar a roda com o carro andando”, aponta em entrevista ao Mundo do Marketing.

Confusão teórica
Cerqueira também acredita que muitos conceitos já caíram por terra. Para o especialista, o momento atual é diferente de uma revolução, como aconteceu com a criação do carro. “Quando se tem uma revolução é mais fácil perceber”, explica. “O que está havendo agora é uma mudança profunda de tudo e isso faz com que os profissionais de Marketing não consigam apreender (as mudanças)”, ressalta.

Para o Presidente da Copernicus, o erro está nas palavras. Quando se fala em um evento promocional ou material de merchandising as pessoas sabem o que é. “Mas a realidade do nome propaganda, por exemplo, não existe mais. Por isso, as coisas precisariam ser renomeadas. Com este pensamento, as agências não deveriam mais usar o nome plano de mídia e sim, plano de contato. Essa mudança é para que as pessoas pensem diferente, pois os mesmos nomes são uma arapuca”, garante.

Mesmo não enxergando o novo cenário, ainda há empresas que obtêm lucro. “Eles diminuem custos operacionais, fazem programa de qualidade e tem uma demanda tradicional”, elucida Cerqueira. “Em estudos realizados, sabemos que até 70% das compras são inerciais. As pessoas compram porque precisam comprar margarina e shampoo, por exemplo. Tem produto que chega a vender 95% por necessidade. Hoje a demanda está muito aquecida”, diz em entrevista ao site.

Produtos demais
Para os produtos cuja demanda não é tão alta, aprofundar o conhecimento sobre o consumidor é o melhor caminho para conquistá-lo. “É preciso saber o que ele gosta, o que ele faz, como ele consome. São estas informações que indicarão a forma de falar com o consumidor de maneira relevante e pertinente”, atesta Flavio Salles. “O processo de comunicação hoje é muito mais customizável. Com um bom banco de dados você segmenta o cliente usando ferramentas estatísticas de acordo com o perfil dele”, completa.

Atender às novas demandas e acertar na mosca o desejo do consumidor é outro desafio. Somente no último ano, mais de 269 mil produtos foram lançados, uma média de aproximadamente 22,5 mil a cada mês. Diversos institutos de pesquisa, como a Nielsen, apontam que a maioria destes novos produtos, em torno de 80%, fracassa. “O consumidor diz que quer opção, mas não é bem assim. Hoje a segmentação é cada vez mais complexa. O consumidor tem uma atitude para uma categoria de produto e outra reação com outra categoria. Depende de muita coisa, de ocasião de consumo. Uma pessoa que usa um relógio Rolex não quer dizer que é consumidora de artigos de luxo”, pondera Alberto Cerqueira (foto).

Hoje a experiência no ponto-de-venda é fundamental. De acordo com Cerqueira, o consumidor precisa tocar e experimentar o produto. “As comparações de preço na Internet e a mídia servem apenas como um convite para a pessoa viver uma experiência no ponto-de-venda”, afirma. “Empresas como a Apple e a Adidas já acordaram para isso e a virada que elas deram mostra muito bem. Já as grandes empresas de consumo de massa têm mais dificuldade”, acredita. “Os clientes pedem cada vez mais soluções fora da caixa, mas às vezes acaba no tradicional e o inovador não acontece”, completa Flávio Salles.

Caso de Sucesso
A fórmula é simples. Quem aposta no novo obtém resultado. É o caso da SulAmérica. A empresa vai além de oferecer seguro. Em São Paulo, ela criou a Rádio SulAmérica Trânsito 92,1 FM, no ar 24 horas por dia transmitindo informações e dicas sobre o trânsito de São Paulo. Com forte presença da concorrência no segmento de seguros de automóveis, a SulAmérica oscilava, antes do lançamento da Rádio Trânsito, entre a 4ª e a 5ª posição na cabeça das pessoas quando perguntadas sobre seguros de veículos.

“Decidimos que não investiríamos mais em São Paulo se não fosse em algo impactante e relevante para a vida de quem mora na cidade”, disse Zeca Vieira (foto), Diretor de Marketing corporativo da SulAmérica. Hoje, a empresa detém 16% de market share e comemora o aumento nas vendas. “Dobramos o share of mind, que era a principal meta, além de aumentar as vendas e a lembrança da marca”, completa em recente entrevista ao Mundo do Marketing.

Zeca Vieira mostrará os detalhes do Caso de Sucesso da SulAmérica, que também colhe frutos da Campanha de Incentivo ao uso da bicicleta no Rio de Janeiro, no Seminário Marketing 360º. O evento acontece entre os dias 26 e 27 de junho, no Rio de Janeiro, e também terá palestra de Alberto Cerqueira Lima, Presidente da Copernicus Marketing Consulting no Brasil, e de Flavio Salles, sócio-diretor da Sun-MRM.

FONTE: Mundo do Marketing

Agências tradicionais vão morrer

Postado por Gustavo Periard em 14/01/2008
Categoria: Marketing

Por Bruno Mello
bruno@mundodomarketing.com.br

Quem ainda pensa que Marketing Direto é apenas o envio de mala direta, prepare-se para saber que a disciplina pode ser inserida em todos as ações de marketing. Cada vez mais agências não estão se limitando ao conceito de comunicação direta para realizar suas campanhas, que vai desde a tradicional mala até buzz marketing. Quem explica este novo modelo é Eduardo Bicudo (foto), Presidente da Wunderman no Brasil. para ele, a agência que ficar focada em uma única disciplina estará fadada a fechar as portas.

De acordo com o executivo, atingir o consumidor e mantê-lo fiel a uma marca nos dias de hoje requer uma série de ações. “Todas as ferramentas servem ao objetivo de criar relacionamento. As agências que se definirem somente de marketing direto, só de marketing de relacionamento, ou apenas de publicidade, vão morrer”, afirma Eduardo Bicudo. Sob esta filosofia, a agência presidida por Bicudo e pertencente ao Grupo Newcomm no Brasil, tem crescido pelo menos 30% ao ano atendendo a clientes como Nokia, Diageo, Natura, Ford, Vivo, Telefônica, Land Rover, entre outros.

Em entrevista ao Mundo do Marketing, Eduardo Bicudo explica as mudanças pelas quais passa o Marketing Direto, quais influências têm adquirido do mercado e o que tem mudado na atividade das agências, boa parte delas advindas do uso de plataformas digitais, como a Internet, como forma de criar relacionamento. Só na Wunderman, 60% do faturamento da agência vem das ações digitais, que incluem até a realização de publicidade. Publicidade? Uma agência de Marketing Direto fazendo publicidade? Sim. Saiba por quê nas linhas abaixo.

O mundo mudou mais nos últimos cinco anos do que nos últimos cinqüenta anos. O que mudou no Marketing Direto neste período?
A tecnologia teve papel fundamental nas mudanças do nosso negócio. Os conceitos continuam os mesmos. Coisas que o Lester Wunderman (fundador da agência) falou há 30 anos são absolutamente válidas. Com a tecnologia, pudemos aplicar estes conceitos de forma anabolizada. Com a criação de novos meios de interatividade que não existiam há 10 anos, ou não tinham a representatividade que têm hoje, houve um impacto direto no nosso negócio.

O cliente está exigindo cada vez mais das agências, que vai desde relacionamento até propaganda, não é?
Exatamente. O consumidor hoje está envolvido em uma série de mídias. Está sendo impactado pelas milhares de propagandas tradicionais, pelo celular, pela Internet e se ficarmos numa só, vamos trabalhar apenas num fragmento. Por isso, as agências tendem a ser muito parecidas no futuro porque o objetivo é interagir com o cliente. Neste sentido, as agências de Marketing Direto levam vantagem porque nasceram falando em interatividade e segmentação.

O DNA da Wunderman é o Marketing Direto. Hoje, no entanto, a agência faz propaganda, onde a mensuração é mais complexa. Por que?
Não fazemos a propaganda tradicional. Tudo que fazemos tem um conjunto de ações focadas em resposta e com muita segmentação. O fato de usarmos a mídia de massa não significa que abandonamos a nossa origem, pois a mídia de massa sempre foi uma ferramenta utilizada pelo Marketing Direto. O que fazemos para a Xerox, por exemplo, não é branding. É vender, gerar leads e criar relacionamento.

Mesmo assim, vocês não estão entrando numa seara que era das agências de publicidade?
Um dia todos seremos iguais. Não dá mais para definir por canal. O problema é que isso ainda está à frente do tempo. Hoje, uma agência de propaganda também faz Internet, mas o objetivo dela, que é construir marca, é completamente diferente do nosso. O nosso objetivo é horizontalizado, que tem Marketing Direto, relacionamento, promoção, database, mídia de massa, entre outros. Construo marca também? Sim, mas não é o objetivo principal, que é conectar as pessoas às marcas, criar relacionamento, experiência e criar canais de interatividade. O Marketing Direto trabalha com ação e resposta. Já a propaganda trabalha com percepção.

Então, o ponto é que o Marketing de Relacionamento está cada vez mais roubando o espaço da propaganda?
E não vou discordar de você sobre isso. Na Diageo, por exemplo, usamos Buzz Marketing para interagir e até para criar uma personalidade para as marcas, mas ao mesmo tempo acumulo banco de dados. Este é o modelo do futuro. Do que vai adiantar termos uma TV interativa se não soubermos fazer interatividade? Os investimentos dos clientes em outros meios que não a propaganda já é maior em muitos casos. A Kraft dos Estados Unidos cortou os anúncios impressos e estão fazendo CRM, Digital…

Quanto da receita da Wunderman vem da área digital?
Hoje, 60% da nossa receita é Digital. Mas não nos transformamos em uma agência de Internet. Pelo contrário. Continuamos a ser uma agência de marketing de relacionamento, só que o pilar da Internet tem sido um grande provocador de relacionamento. Todas as ferramentas servem ao objetivo de criar relacionamento. As agências que se definirem somente de marketing direto, só de marketing de relacionamento, ou apenas de publicidade, vão morrer.

Ao fazer buzz marketing, atingindo quem você não conhece, você vai de encontro ao DNA do marketing direto que busca falar com o Bruno, com o Eduardo… como vocês fazem para equacionar essa questão?
Tenho que criar mecanismos para entender quem são essas pessoas. Buzz monitoring é fundamental. E também vou converter isso em algo tangível em algum momento, seja através de geração de lead, de interatividade ou acumulação de dados. Fizemos um viral para a Nokia Trends que tinham vídeos teaser e quem desejasse receber mais informações, que era essencial para as pessoas, ela precisava se cadastrar.

Falamos de uma série de ações de Marketing Direto, mas você ainda não citou a mala direta.
Mas continua sendo uma parte grande da nossa oferta. A mala direta também se sofisticou com este novo modelo. Mudou, mas não vai acabar e a relevância precisa ser muito trabalhada. É preciso ter um trabalho de lista muito bem feito, muito bem segmentado, criar mecanismos para atender qual é o melhor momento para falar com as pessoas e com uma personalização muito sofisticada. A mala direta é uma ferramenta premium que tem que ser mais bem utilizada.

A mala direta hoje precisa de muito mais inteligência e criatividade. Mas, na hora de pagar que é complicado, não é?
A eficiência é importante no nosso negócio. Tenho que fazer o meu cliente gastar menos e ter mais resultados. É preciso utilizar a inteligência para eliminar custos e ser mais personalizado. Temos um cliente que fazia um número de ligações muito grande no seu telemarketing e provamos que se ele fizesse um décimo das ligações ele obteria o mesmo resultado sem encher o saco de muita gente. Por isso, acho que esta questão de caro e barato está dentro do conceito de eficiência.

Como está a evolução das métricas num momento em que só se fala de Roi (Retorno sobre Investimento)?
Temos metodologia própria, com uma matriz de nove células que detalham toda campanha. Os clientes estão dependentes de mensuração, principalmente no meio on-line. Mas ainda há quem não tenha essa preocupação.

Como vocês estão se preparando para os próximos anos?
Acho que fizemos as apostas certas. Até a estrutura que temos já não é tradicional. Hoje, fazer uma mala direta personalizada é muito mais difícil do que antigamente e, por isso, temos gerências de projetos que fazem tudo diferente. Não estamos presos a uma coluna vertical de uma ferramenta. Vivemos num ambiente de constante mutação e temos que estar preparados.

Acesse
www.wunderman.com
www.gruponewcomm.com.br

FONTE: Mundo do Marketing

O ano do Nanomarketing

Postado por Gustavo Periard em 08/01/2008
Categoria: Marketing

Por Bruno Mello
bruno@mundodomarketing.com.br

A cada ano que passa, há uma nova forma de fazer Marketing. Não que os conceitos, métodos e ferramentas criados há 20, 30, 40 anos não funcionem mais. Pelo contrário, estão sempre se provando eficientes. Nascem novos modelos de fazer marketing porque o consumidor muda, a economia muda, o cenário competitivo muda, tudo muda com o virar da página do calendário. Não precisa ir muito longe na linha do tempo para ver o quanto se transformou a maneira de atingir e conquistar o consumidor no Brasil.

Em 1994, apenas 14 anos atrás, o país ensaiava a sua estabilidade econômica com o lançamento do Plano Real. Hoje, os preços já não são mais balizadores de qualidade e de diferenciação, até para a baixa renda. Criou-se também um mundo de oportunidade para novos produtos. A batalha pelo bolso do consumidor, até então vencida com facilidade pela indústria, pelo varejo e pela comunicação de massa, começa a ganhar contornos de guerra. A camada mais pobre passa a ter poder de consumo. A classe média e os ricos mergulham no mercado de luxo.

Voltando a 1995, a Internet dá seus primeiros passos. Em 1998, a privatização do Sistema Telebrás deu início a outra revolução. Hoje, um telefone em casa já não é mais mistério, somos mais de 100 milhões de brasileiros com celulares no bolso, centenas de canais na TV a cabo e os dezenas de milhões de brasileiros conectados à Internet. Tudo isso forma a receita perfeita para a fragmentação da mídia, sem contar na mídia imprensa que continua crescendo no Brasil e no surgimento de novas mídias. Em termos de consumo, só no último Natal, os brasileiros gastaram mais de R$ 1 bilhão em compras pela Internet, segundo a e-bit. Bem longe dos mais de US$ 20 bilhões gastos pelos norte-americanos, é verdade, mas bem perto do retrato que mostra um novo consumidor brasileiro.

Como sempre, conhecer o consumidor é essencial
E é este consumidor que impõe desafios ainda maiores aos profissionais de marketing em 2008. O ano será marcado pela intensificação de ações de marketing cirúrgicas e mensuráveis. Bem-vindo ao Nanomarketing, termo cunhado pela The Mattis Group, uma agência de marketing da Philadelphia, nos EUA. O Nanomarketing identifica, coleta e organiza de forma inteligente o perfil de cada cliente e prospect, promove a comunicação e interação de forma customizada e analisa todos retornos dos consumidores, principalmente no meio on-line.

No Brasil, já há quem siga esta estratégia. “É o marketing direcionado a nichos de comportamento, não de segmento”, explica Aloisio Sotero, Diretor de Marketing Direto da Dufry no Brasil. “Uma mesma pessoa pode ter diferentes comportamentos e o Nanomarketing orienta as ações de acordo com a circunstância de momento”, conta Sotero, para quem a melhor forma de atuar neste modelo é estando atendo ao comportamento do consumidor, seja através dos meios tradicionais de banco de dados, seja pelas redes sociais. “O marketing nunca foi tão circunstancial”, ressalta Sotero.

Entenda o Nanomarketing

Em cada momento - no trabalho, no cafezinho, no corredor, em frente ao computador, de olho no celular, navegando na Internet, em casa, na rua, no metrô, no carro, na terra, no ar, fazendo aventura, deitado na rede, comprando, passeando sem compromisso, e em uma infinidade de situações - o consumidor espera ser abordado de uma forma. Ou espera não ser abordado. Publicidade, mala direta, e-mail marketing, ação de relacionamento, promocional, merchandising, brand entrenteiment, mensagem no MSN, banner na internet, buzz marketing, a lista não tem fim, mas a verba sim.

Por isso, o Nanomarketing, mesmo que praticado há tempos por alguns sem tanta inteligência por trás, será fundamental para medir o retorno de cada ação, sem esquecer de conhecer o consumidor, algo que parece batido, como promover inovações, mas que ainda são calos para muitas empresas e determinantes na permanência e conquista de novos clientes.

FONTE: Mundo do Marketing

Marca Própria ganha cada vez mais mercado

Postado por Gustavo Periard em 14/12/2007
Categoria: Marketing

Por Bruno Mello
bruno@mundodomarketing.com.br

O varejo está caminhando a passos largos na direção de uma fatia crescente de mercado da indústria. Os produtos fabricados pelos próprios supermercadistas, as chamadas marcas próprias, ganham cada vez mais espaço no carrinho de compras e começam a ocupar um espaço destinado às marcas tradicionais em todos os segmentos. De acordo com o 13º Estudo de Marcas Próprias da Nielsen, os brasileiros optam cada vez mais por produtos de marca própria, tanto que o volume de vendas cresceu 25,7% de agosto do ano passado a julho deste ano, enquanto as marcas tradicionais registraram crescimento de 8,4%.

A expectativa da Presidente da Associação Brasileira de Marcas Próprias e Terceirização - Abmapro - Neide Montesano, é que este mercado cresça ainda mais, porém, sem tomar mercado das marcas tradicionais. “A marca própria não tem nenhuma intenção de bater os produtos multinacionais”, afirma. O mesmo estudo da Nielsen apontou uma ligeira queda das marcas próprias dentro do mix de produtos do varejo, o que não afetou no resultado positivo e no crescente investimento das redes nestes produtos.

O Carrefour, por exemplo, lançou em novembro uma linha com 318 itens de presentes, decorações e utensílios de cozinha. A nova marca, com preço médio 10% mais barato do que os líderes, se chama “casa&deco” e tem como posicionamento se diferenciar pelo design, vendendo presentes, móveis, aparelhos de jantar, jogos de panelas, inclusive de inox, faqueiros, utensílios de cozinha e cutelaria.

De olho nestas movimentações, o mercado já dá como certa a construção de um supermercado da rede Pão de Açúcar destinado a vender apenas marcas próprias, como a sua revigorada Taeq, que fez parceria recente com Isabela Capeto, que desenvolvera diversos produtos para a rede. “Há redes na Inglaterra que tem 70, 90 e até 100% dos produtos que são marca própria. O interessante é que lá eles já estão numa quarta fase, onde a marca própria vai buscar produtos com novas tecnologias, que às vezes nem os líderes tem”, conta Neide, que também é Presidente do comitê de marcas próprias da Abras - Associação Brasileira de Supermercados.

O mercado de marca própria vem crescendo constantemente no Brasil. Quais são os principais motivos para este crescimento?
O crescimento se deve ao fato de termos iniciado uma comunicação para o consumidor final da qualidade que temos hoje na marca. Apesar do produto sinalizar isso através da embalagem e do posicionamento no ponto de venda, isso se perde um pouco porque ele está no meio de uma gôndola junto com muitas outras marcas. Com essa comunicação, conseguimos quebrar uma idéia do passado de que a marca própria era um produto que não tinha qualidade.

Este crescimento se deve ao fato da própria evolução do setor, não é?
Tivemos a primeira fase de marca própria nos anos 1970 e aconteceu no Brasil o que aconteceu lá fora, duas décadas antes, com produtos intitulados marca branca porque sequer marca eles tinham. Não havia preocupação com qualidade e era um produto de combate. Passamos por uma segunda fase no Brasil nos anos 1990 onde os produtos começaram a ganhar marca, com uma pequena preocupação com a qualidade do produto.

Hoje chegamos numa terceira fase onde o produto tem todos os pré-requisitos de marcas tradicionais no mercado, com uma preocupação muito grande de embalagem. O fato da marca própria ter um diferencial de preço pode sinalizar que ele não tenha uma qualidade ideal, mas essa diferença no preço é fruto do enxugamento do custo porque os produtos de marca própria não têm investimento em mídia, na área de marketing e de comercial. Nesta fase, começamos a mostrar que os produtos têm marca, tem assinatura e garantia de qualidade.

Se o grande diferencial é o preço se comparado à marca tradicional, o que as marcas próprias precisam fazer para se diferenciar entre elas?
Quando falamos em marca própria ela tem como objetivo fugir da concorrência entre si. Há algum tempo ela vem se tornando uma ferramenta de fidelização. Cada varejista tem a sua estratégia de acordo com o público que atende. Partindo do principio da qualidade, é como comparar um Fusca a um Mercedes. Os dois têm qualidade de acordo com o público específico. Cada um tem valores e exigências exclusivos. Por isso não existe concorrência entre marcas próprias porque ela atende a primeira lei do varejo, que é a concorrência na gôndola.

O Grupo Pão de Açúcar criou a marca Taeq com um conceito diferente. Como a senhora vê este novo produto?
Taeq é uma marca transversal, com um conceito. O Pão de Açúcar resolveu destacar o produto em um local específico para a marca no ponto de venda. No caso do Carrefour, ele posicionou a marca própria dele junto com o líder de mercado. Então, se você for ao Carrefour, você verá o líder e logo abaixo a marca própria do Carrefour. Isso, em todas as categorias. Em outras redes, há outro posicionamento. O importante de um produto marca própria é saber qual é o posicionamento dele.

Uma pesquisa da Nielsen indicou que apenas 31% os varejistas têm marca própria. Há um mercado grande a ser explorado ainda, não tem?
Costumo dizer que o céu é o limite. Temos crescido, mas ainda temos muito para crescer. Mas para isso precisamos de indústrias com capacidade instalada para atender a marca própria em todos os segmentos, inclusive em segmentos com tecnologia avançada. Precisamos ter fornecedores que entendam que marca própria é uma unidade de negócio, não para ocupar capacidade ociosa. O segundo ponto é que, para fazer marca própria, precisa ter volume para reduzir custos. A quantidade é um gargalo, basta ver que somente as grandes redes entraram neste projeto.

Hoje o consumidor compra cada vez mais nos mercados de vizinhança e em muitos casos não há grandes redes nestes locais. Como os pequenos podem ter suas marcas próprias?
A grande pergunta é como chegar nas classes C, D e E, onde está o maior volume de compras. Mas não tem como fazer marca própria para um mercadinho porque o volume é muito pequeno e não haverá um custo competitivo. Mesmo assim, nos últimos cinco anos, vem crescendo a marca própria neste segmento porque eles se uniram, com um movimento cooperativista. Como essas redes tem até 60 mini-mercados atrelados a eles, com uma bandeira única, há possibilidade de se fazer marca própria para eles. Quando dizemos que há 5,5% de marca própria no varejo, temos que lembrar que temos atacadistas que estão muito forte neste segmento.

Como vai ficar a disputa das marcas próprias com as marcas tradicionais, da grande indústria?
Vai ficar como é lá fora. Há redes na Inglaterra que tem 70, 90 e até 100% dos produtos que são marca própria. O interessante é que lá eles já estão numa quarta fase, onde a marca própria vai buscar produtos com novas tecnologias, que às vezes nem os líderes tem.

Diante deste cenário, qual é o recado que a senhora deixa para os profissionais de marketing que estão desenvolvendo produtos que não são marcas próprias?
A marca própria não tem nenhuma intenção de bater os produtos multinacionais. Ela é mais uma marca dentro de uma categoria que vai guerrilhar no ponto de venda igual as outras. Não enxergamos que a marca própria vai ocupar o espaço das multinacionais. Não temos esta pretensão.

Como não vai ocupar o espaço das grandes marcas se o próprio Pão de Açúcar vai criar um supermercado somente com marcas próprias?
Fatalmente ele pode vir a ocupar, mas isso é natural da concorrência. Quem tiver competência se estabelece. A marca própria tem a inteligência do varejo junto com a inteligência da indústria e esta parceria vai vingar cada vez mais.

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FONTE: Mundo do Marketing

Um pais que compra e vende diferente

Postado por Gustavo Periard em 26/10/2007
Categoria: Marketing

Especial Comportamento e Consumo
Um pais que compra e vende diferente

Por Thiago Terra
redacao@mundodomarketing.com.br

O Brasil é um país que dispõe de muitas riquezas naturais e, segundo os profissionais do consumo, aqui acontecem todos os fenômenos relativos a este assunto. Para citar as oportunidades do país em relação ao consumo de produtos em todo o mundo, basta perceber marcas como Havaianas, sucesso no exterior. Além de marcas reconhecidas, o Brasil exporta produtos como novelas e música.

No Instituto de Prospecção Tecnológica e Mercadológica do Senai-Cetiqt, a convivência entre as diferentes culturas da população, que variam de acordo com cada região, também foi analisada. O resultado obtido diz que a capacidade de vivenciar o cotidiano é feita de forma fantástica. “A cultura do povo é a de criar situações. As regiões do Brasil são diferentes países”, acredita Aline Monçores, pesquisadora do Instituto.

Para explicar a importância de cada região para o desenvolvimento do Brasil, começaremos pela região Norte, o coração biológico e pulsante do país. Esta região apresenta a realidade da natureza, a conservação da cultura natural. Através da cura descoberta nas ervas da Amazônia, é possível a vida na floresta, onde a cidadania deu lugar à “florestania”. “O Norte do Brasil sustenta projetos mais refinados do que nos EUA e Europa”, palavras de Sabina Dewiek, representante no Brasil do instituto de pesquisas e tendências de consumo Future Concept Lab. Estes projetos tem bom propósito, mas ainda falta sistematização, com informações estratégicas, já que a cultura ligada a floresta remete à projetos sustentáveis e políticas sócio-econômicas.

Diversidade Cultural
Outra região inspira a mistura de etnias e culturas dentro do coração histórico do nosso país. O nordeste brasileiro apresenta seus recursos naturais como chamariz para a notável presença do seu povo, que originam a mescla entre as culturas e crenças. Neste território as festas populares ganham as ruas, os bairros até as cidades, onde todos abraçam a idéia de renovar o que é a cultura para eles. Fenômenos musicais, literatura de cordel são influencias fortes nesta região. Esta é uma contribuição importante para o crescimento do potencial de compra do consumidor nordestino.

Recentemente, a Unilever realizou pesquisa na região para detectar as necessidades das classes C, D e E ao lavar roupas. Com os dados, a marca lançou uma nova embalagem, de plástico e não papelão, para facilitar a lavagem na beira dos rios. Nesta terra, o cotidiano dos habitantes segue a risca a cultura popular. A próxima região pesquisada pelos especialistas apresentou como característica básica um lado vinculado a terra e outra a urbanização. Trata-se da região Centro-oeste, que é divida por áreas indígenas e os sonhos futurísticos de arquitetos, como a cidade projetada de Brasília. Este é um dos principais setores da balança comercial do país e líder na produção e criação de algodão. “O mundo está olhando para esta região com muita atenção”, diz Francesco Morace, Presidente de Conceito Future Lab.

O Sul do Brasil não é conhecido apenas por suas baixas temperaturas e a semelhança do povo com as colônias alemãs. De lá surgiu à idéia de comunidade, desenvolvimento maduro e comunidade unida. Habituados a tradições e agregações, o povo vive em renovação constante, segundo Aline Monçores. Padrões e projetos de comportamento e consumo são de nível internacional assim como os de tecnologia. “Além de promover uma revolução da moda no Brasil, o Sul foi o primeiro holding no campo da moda” conta Sabina. Para a executiva, de lá se pode começar a reinventar projetos para mostrar uma nova qualidade brasileira.

O coração do Brasil
Conhecida por suas praias e estilo de vida diferenciados das demais, o Sudeste é
A região mais rica e articulada do país. Dispõe de forte vínculo com suas raízes, porém tem maior contato com o mercado internacional. Características indispensáveis do comportamento de compra desta região estão relacionados ao caos e ao corpo. “A convivência deles é muito forte com a dinâmica dos opostos e com problemas sociais urbanos”, analisa Patrícia Dalpra, pesquisadora responsável pelo DNA Brasil.

Com linguagem específica, a população do Sudeste convive com o binômio Ética/Estética no dia-a-dia devido ao crescimento acelerado das tecnologias avançadas. Segundo Patrícia, esta região se expressa na forma do espírito carioca, característico por criar soluções criativas, assim como São Paulo, que abraçou o projeto Cidade Limpa que promove a interferência da publicidade no cotidiano das pessoas.

O conceito de Globalização diz que temos que trabalhar em cima de diversas culturas para atingir um patamar comum a todos, onde a igualdade de todos é a solução. Para os pesquisadores e especialistas do DNA, o Brasil precisa trabalhar em cima da sua própria cultura e procurar não imitar os outros países, já que aqui todas as tendências têm influência sobre cada região.

FONTE: Mundo do Marketing

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