Pessoal, estava lendo um artigo escrito por  Chris Trimble, na Harvard Business Review e achei interessante escrever alguns pontos da idéia do autor aqui no blog. O texto é intitulado: “A Forma mais Garantida de Destruir uma Iniciativa de Inovação” (The Surest Way to Destroy an Innovation Initiative). Onde Trimble aponta os três  modelos para organizar a inovação nas empresas.

O primeiro seria o modelo “Inovação é trabalho de todos e todos os dias”. É aquele modelo onde todos participam do processo de inovação e são responsáveis pela mesma. Segundo Trimble, um dos benefícios deste modelo é o da possibilidade de obter um grande número de projetos simultaneamente. Por outro lado, um grande e evidente problema para esse modelo é que – em geral – as pessoas estão ocupadas demais realizando suas atividades. E por questões óbvias, teríamos todos, fazendo de tudo (parcialmente) o que compromete tanto a inovação, quanto os processos de trabalho do dia-a-dia.

O segundo modelo, que Trimble chama de “fazer a inovação repetidamente”, cuja abordagem tem por objetivo tratar a inovação como um processo semelhante a qualquer outro processo do negócio. Aqui, há a documentação de cada passo, a definição de papéis e responsabilidades e a realização de medições. Empresas que estão sempre inovando em seus produtos e serviços utilizam esse tipo de modelo. Porém, esse modelo somente funciona em um processo de inovação incremental, pois quando as inovações são radicais, o processo de inovação repetitivo não tem a estrutura necessária para atender às novas demandas dos produtos/serviços.

O terceiro modelo é o de formar uma equipe dedicada para o processo de inovação, e que de acordo com Trimble, opera em uma parceria sadia com os demais processos já estabelecidos na organização. Contudo, esse modelo não funciona às mil maravilhas, pois como todos sabemos, as inovações, em sua maioria, não são bem aceitas em operações e procedimentos que já fazem parte do status quo da organização. É uma tarefa difícil conciliar as duas coisas e quebrar as barreiras à inovação.

Bem, até aqui, você deve estar se perguntando: E porque as empresas não utilizam logo o terceiro modelo? Bem, a resposta é o famoso e enjoado “CUSTO”, que se possível seriam banidos das organizações.

De acordo com os estudos de Trimble, o motivo que faz com que empresas se recusem a formar essas equipes para a inovação é o custo direcionado para sua formação. Como resultado, o que as empresas acabam fazendo é formar a equipe, porém, pedindo que as pessoas da organização trabalhem mais, o que acaba em uma mistura do primeiro e do segundo modelo.

O grande problema é que fazendo isso a empresa tem a percepção ilusória de que estão reduzindo o custo da formação das equipes. Mas a verdade é que sempre há um custo em pedir que as pessoas trabalhem mais. Pois, apesar dos aparentes custos mais baixos, o processo de inovação terá a mesma quantidade de trabalho, independentemente da formação de equipes específicas ou não.

Ao fazer isso, a empresa cai nas disfunções dos modelos 1 e 2, respectivamente, o trade-off entre atividades do dia-a-dia e inovação, da mesma forma que a inovação se apresenta como um processo exaustivo para as pessoas envolvidas, o que gera novamente  “conflito” com as atividades consideradas pelas pessoas como “normais” de sua função no negócio.  Esse processo faz com que a organização fique “amarrada”.

O processo de inovação dever incluir inovação na maneira como as pessoas são unidas para a formação dessas equipes. Trimble aponta que estabelecer os relacionamentos corretos, bem como formar relacionamentos novos, novas descrições de trabalho, novos papéis e responsabilidades e até mesmo contratar novas pessoas em novas áreas de conhecimento, são mudanças que não são possíveis de serem feitas com o atual modelo de organização, sem que o negócio seja prejudicado. Essas inovações só podem ser feitas com uma equipe dedicada.

Por isso, a velha lição se repete: empresas cegas pela redução de custos acabam se esquecendo de seus objetivos e, por fim, prejudicam a tomada de decisões, principalmente aquelas de longo prazo.

Um abraço a todos até a próxima!!!!

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