Que atitude você deve tomar se estiver fazendo uma apresentação e algumas pessoas conversam em voz alta atrapalhando o andamento da exposição?
(…)
Comecei a me preocupar com esse assunto quando ainda era um garotão. Certa vez, ainda quando eu estava no curso básico, ocorreu uma cena que jamais fugiu da minha lembrança. Um colega de classe, ao perguntar, inocentemente, a um companheiro que se sentava ao lado qual a frase pronunciada pelo professor, foi pego em flagrante pelo mestre, que o retirou da sala sem chances de defesa.

Fiquei imaginando se alguém teria o direito de expulsar um ouvinte da sala porque conversou, em vez de prestar atenção à exposição.

Sim, tem o direito, mas esse é o último recurso de que dispomos. Antes de tomar uma atitude tão extrema, existem alguns passos que precisam ser dados:

a. Fale um pouco mais baixo
Alguns palestrantes cometem o erro de falar num tom mais intenso quando percebem ruídos no ambiente. Essa atitude, além de não resolver o problema, poderá agravá-lo, porque quase sempre passa a existir uma espécie de concorrência, em que o participante no auditório também aumentará o volume da voz. Fale mais alto somente na primeira ou segunda frase, para chamar a atenção. Depois baixe a altura para que a voz da pessoa na platéia sobressaia no ambiente, forçando-a naturalmente a ficar em silêncio.

b. Passe a falar olhando na direção de quem conversa
Aqui a situação já começa a ficar delicada. Se o primeiro procedimento -falar mais baixo- não for suficiente, o passo seguinte é olhar com insistência na direção de quem conversa, sempre falando com voz mais baixa. Ao perceber que foi notado, talvez ele se cale. Nesse momento, um sorriso ou brincadeira podem ajudar a solucionar o problema de maneira mais leve e simpática.

c. Pare de falar
Agora complicou de vez. Praticamente todas as situações poderão ser resolvidas com os dois procedimentos anteriores, mas, se isso não ocorrer, pare de falar e continue olhando na direção daquele que atrapalha a sua exposição. Dificilmente alguém continuaria a se manifestar no auditório sentindo que o orador parou de falar e lhe dirige o olhar.

d. Peça que se cale
A luz vermelha com indicação de perigo está piscando com insistência. É desagradável ter que chegar a esse estágio. Nesse instante, já se caracterizou uma certa animosidade que nunca interessa a qualquer orador, mas se, depois de todas as tentativas, ainda persistir o problema, não tenha receio, peça que o importunador se cale.

e. Retire-o da sala
Por mais experiente que seja o orador, a adrenalina deve estar a mil. É o último recurso. Tudo já foi tentado para que a exposição tivesse um rumo normal, mas a pessoa que ainda continua falando não está interessada nas suas palavras e não demonstra nenhum respeito ao ambiente. É uma espécie de corpo estranho indesejável que precisa ser eliminado. Retire-a da sala.

Opa, parado aí. Antes de tomar esta decisão, com certeza você já estará certificado de que possui autoridade para isso. Como é que poderíamos colocar alguém fora da sala se ele é o presidente de uma companhia para a qual necessitamos vender nossos serviços?!

f. Faça uma pergunta simples
É tudo ou nada. Nesse caso, nada mais resta a fazer. O indivíduo continua conversando, atrapalha totalmente a apresentação e não existe autoridade para retirá-lo da sala. Antes de desistir, faça uma pergunta bastante simples relacionada com o tema que desenvolve e procure envolvê-lo pela sua própria resposta.

Sabe rezar? Se, depois de todo esse esforço, sentir que as tentativas foram infrutíferas, peça a Deus que o ajude. Se nem Ele ajudar, pare de falar e se retire. Mas isso provavelmente nunca ocorrerá.

Por Reinaldo Polito*

* Mestre em ciências da comunicação, palestrante e professor de expressão verbal. Escreveu 15 livros que venderam mais de 1 milhão de exemplares

www.polito.com.br
polito@reinaldopolito.com.br

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