A regra pode ser batida, mas nunca falha. O aumento da renda e do consumo favorecem a criação de empregos temporários no final de ano. Em 2011, as estimativas dão conta de 147 mil novos postos de trabalho, volume que supera em 5% o resultado obtido em igual período de 2010. A boa notícia para o empresário é que mão de obra não falta. A não tão boa assim, é que pode ser mais complicado do que se imagina acertar nas contratações.

Estratégia, suporte especializado, tempo e paciência para se envolver no processo de escolha são atributos que, de forma geral, são exigidos do empreendedor para fugir de contratempos. Em geral, essa é a opinião dos especialistas entrevistados pelo Estadão PME sobre o assunto.

“O mercado é agressivo do ponto de vista de seleção de temporários para o Natal. E as grandes lojas estão sempre procurando gente nova”, diz o presidente da Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop), Nabil Sahyoun.

Para ele, a soma entre demanda alta com políticas competitivas de recrutamento por parte dos principais varejista pode deixar os pequenos empresários mais desatentos na mão. “Às vezes acontece de faltar gente para algumas vagas.”

Outra característica das chances temporárias de final de ano é que, em tese, pode representar uma oportunidade para o pequeno empresário descobrir novos talentos. Dados da Associação Brasileira das Empresas de Serviços Terceirizáveis e de Trabalho Temporários (Asserttem), informam que ao fim da temporada de festas, 25% dos trabalhadores são efetivados.

Os jovens sem registro em carteira são os que mais se beneficiam do momento. Em 2011, estima a Asserttem, 28% das vagas serão ocupadas por esse público. E acerta na estratégia o empregador que sabe mesclá-los aos mais experientes. “Não existe uma fórmula, mas nossas observações sugerem que é bom para a loja misturar jovens a uma maioria veterana”, destaca a diretora de comunicação da Asserttem, Jismália de Oliveira Alves.

Confira abaixo cinco dicas para contratar bem no final do ano:

1 – Contrate rapidamente
No ano passado, a indústria e o varejo recrutaram 140 mil empregados temporários para o período do Natal, segundo dados da Asserttem. O mercado, entretanto, agiu rápido e absorveu 68% do efetivo entre setembro e agosto.

A experiência do passado alerta o empresário que, já às vésperas de penúltimo mês do ano, é bom correr. “Muitas empresas começam a selecionar logo em setembro. O varejista que demora pode não encontrar o perfil adequado para a posição”, diz o presidente da Alshop, Nabil Sahyoun.

Outra vantagem de quem sai na frente é a possibilidade de preparar melhor a nova equipe, transmitindo as particularidades do público e do produto comercializado pela empresa. “Mesmo que temporário, insira o trabalhador no processo”, afirma Jismália Alves. “Conte como a empresa nasceu, quais os seus objetivos, missões e valores. Deixar o colaborador ambientado é fundamental para que ele renda o esperado.”

2 – Busque auxílio para o recrutamento
Existem ao menos três caminhos consolidados para reforçar o efetivo de seu negócio com temporários. O primeiro é o velho e conhecido anúncio na porta da loja. O segundo, a indicação de pessoas próximas. E o terceiro, e mais recomendado pelos entrevistados, é encomendar o serviço a uma agência especializada.

Para Nabil, da Alshop, o anúncio na porta, a mais econômica das opções, pode ser eficiente, mas lento demais. “Se você tem loja dentro de um centro de compras e não quer investir numa empresa especializada em localizar essa mão de obra, os shoppings mantêm bancos de dados com candidatos.”

Já Jismália Alves, no caso da contratação de uma empresa de recursos humanos, alerta para a necessidade de colher referências sobre os consultores. “Ligue e informe-se sobre a qualidade dos serviços prestados anteriormente.”

3 – Elabore um plano de recrutamento
Para os especialistas, antes de se lançar pelo processo de seleção, é conveniente estruturar um plano com o que se espera dos candidatos, discorrendo sobre o perfil da empresa e que tipo de profissional melhor se enquadra nele.

Outro ponto importante é estimar o número de vagas necessário. Na dúvida, melhor subestimar do que superestimar. Isso porque, aquele que demite antes do fim do contrato, arca com multa proporcional ao tempo pré-estabelecido de contrato, que no caso do profissional temporário é de três meses.

4 – Entreviste 3 candidatos para cada vaga

Um grande erro que o empresário costuma cometer quando o assunto é recrutamento de temporários é contratar uma empresa para conduzir o processo e acabar delegando tudo. Mesmo envolvido com a programação de fim de ano, o pequeno empresário deve incluir-se no processo.

Jismália Alves recomenda requisitar à consultoria de recursos humanos que marque entrevistas pessoais com ao menos três candidatos para cada vaga disponível. “Precisa sentir a empatia com quem vamos colocar dentro da nossa empresa. Três candidatos é um número ideal para tomar uma decisão tranqüila.”

5 – Tenha sempre uma segunda opinião
Por menor que seja, ninguém trabalha sozinho no varejo. Há sempre um gerente, um funcionário de confiança para quem se delegam as tarefas mais importantes.

Pois trate de entrevistar os candidatos com esse ‘braço direito’ por perto. “Quando o assunto é contratar, é muito bem-vinda a divisão de responsabilidade. Uma segunda opinião pode alertar para certos pontos não observados pelo dono”, lembra Jismália Oliviera.

FONTE: Estadão PME

1 COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here