por Ivan Postigo*

Quando estudamos gestão, um dos pontos debatidos é a perpetuação das empresas. Essa é uma premissa básica, a não ser que o seu tempo tenha sido previamente determinado, mas quantas são criadas com data para encerramento?

Na trajetória de um empreendimento, alcançando sucesso ou não, podemos vê-lo passar por processo de cisão, e uma parte ser vendida; pode ser incorporado por outra companhia; ou quem sabe integrar uma fusão, compondo uma operação maior.

Um projeto pode fracassar por causa de recessões, que duramente afetam a economia mundial ou do país. O desastre pode ocorrer por má gestão, e não só isso. Há, ainda, uma série de fatores que podem provocar a situação, comprometendo o futuro de um empreendimento, apesar de todas as competências técnicas serem atendidas.

Poucos projetos de produtos tecnicamente brilhantes, que conduzem empresas ao sucesso, a perpetuam. Estranho? Nem tanto!

Quando a gasolina era barata e todo mundo queria carrões, projetos interessantes de carros pequenos fracassaram. Você acha mais confortável um carro com duas portas ou com quatro portas? Os jovens já rejeitaram os carros com quatros portas, considerando-os carros para pessoas velhas.

A moda já foi ter casas enormes, hoje, independente da dupla jornada, procuramos conforto, sem exageros.

Há uma situação que traz a raiz da extinção e gestores, apesar de notarem, não a tratam com a devida atenção.

Existem empresas criadas para o mercado, outras criadas pelo produto e dessa forma permanecem. As segundas é que estão, desde que nasceram, sob risco.

Como ensinam as velhas lições, a indústria do cinema americano sofreu duras perdas até entender que não estava no negócio de filmes para a telona e salas públicas, mas no ramo do entretenimento!

Empresas voltadas ao mercado atendem os desejos e expectativas do consumidor, quando não as criam. Por essa razão se adequam, se adaptam, inovam, se renovam, revolucionam.

Empresas voltadas ao produto desenvolvem ações para melhoria do seu foco, o produto. Ocorre que estas ações nem sempre atendem o consumidor, e a obsolescência se apresenta material e estratégica.

Mudar o produto é possível, agora, mudar o consumidor quando aceita novos conceitos… hummmm!

O pensamento na empresa poderia ser mudado, mas o trabalho não é simples, por essa razão, quando gestores negligenciam o conceito de visão, o risco é muito grande. É a visão que conduz à estratégia, portanto a linha que prepara os caminhos do futuro está na raiz.

Uma coisa é debater inovações com pessoas cuja visão é mercado, outra é debater com pessoas cuja visão é produto. Ainda que esses produtos possam ser revolucionários.

Mudança é um processo doloroso, quando a rejeição ao assunto é muito grande, a mudança de foco pode exigir suspender a pessoa e girar o mundo. O esforço ao se mostrar demasiado, leva à desistência. A tecnologia gira o mundo e deixa o homem onde está. Esse giro gera a força de atração, contudo vemos que em alguns o efeito é da rejeição.

A obsolescência é um poderoso instrumento de eliminação de concorrentes e competidores. Ainda que copiar seja mais barato que desenvolver, o seguidor não costuma obter vantagens competitivas com a minimização de erros.

A aceleração do poder de criação provoca o efeito de um pesado rolo compressor, esmagando o que encontra pelo caminho em velocidade reduzida.

Dessa forma, uma gama interessante de produtos são natimortos, chegam ao mercado totalmente ultrapassados.

*Ivan Postigo – Diretor de Gestão Empresarial – Autor do livro: “Por que não? Técnicas para estruturação de carreira na área de vendas” e Free e-book: “Prospecção de clientes e de oportunidades de negócios” – Postigo Consultoria Comunicação e Gestão

1 COMENTÁRIO

  1. Recomendo o livro Como as gigantes caem. Autor Jim Collins. Esse livro tem o mesmo princípio do artigo comentado.

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