por Pablo Rogerio Santos de Lima

Em uma rápida consulta no Google sobre o termo Ativos Intangíveis, logo nos deparamos com uma porção deles, tais como Patentes, Marcas, Softwares, Clientes, Know–how, etc. Para que não sabe, “ativo é o conjunto de bens e direitos à disposição da administração”, ou genericamente falando, é tudo aquilo que a organização possui para gerar renda, seja por meio da produção e comércio de bens ou serviços. A expressão intangível é utilizada para sugerir algo que é de difícil mensuração, algo que não é palpável. Porém dentro dos ativos intangíveis, não conseguimos achar referências sobre um em especial, e que a cada dia possui mais importância para a reputação de uma organização. A Ética. Este sim possui valor imensurável.

Praticamente todos os livros didáticos que falam sobre temas da administração possuem um capítulo especial dedicado exclusivamente à ética. Mas se a ética é tão difundida assim nos meios acadêmicos, porque ainda ouvimos falar de importantes gestores se envolvendo em falcatruas dentro de organizações que possuem “renome” nacional ou até multinacional?

A ambição até certo limite é benéfica para o desenvolvimento pessoal, profissional e organizacional. Mas chega um ponto que ela começa a se tornar altamente maléfica, justamente no momento que é confrontada com a ética. A ambição excessiva tende a quebrar todas as barreiras para chegar a um objetivo predeterminado. Só que uma conquista que não honrou princípios éticos, é uma conquista falsa, um blefe.

Já diziam nas mídias que não existe ética pela metade. Ou a pessoa é ética ou não é. Se não é, ela tende a contaminar todos à sua volta, corrompendo tradições, culturas, valores, honra…

É um assunto complicado de ser tocado, pois não existe alguém completamente ético. Todos nós somos grandes hipócritas. O discurso ético é bonito de ser falado e ouvido, difícil é ser praticado. Mas não é uma guerra perdida, pois a consciência fala mais alto. E quando a pessoa começa a se policiar com pequenas atitudes, tais como jogar um papel no chão, falar uma ofensa, aceitar um dinheiro fácil, sua consciência começará a incomodar. Porque quem possui conhecimento sobre o erro que está cometendo, começará a evitá-lo. A leitura, a sensibilização das coisas ao seu redor, a empatia com os outros, são peças fundamentais para saber que sua atitude incorreta pode estar lhe favorecendo momentaneamente, mas está prejudicando outra pessoa.

E não esqueça da lei da vida, onde rege o débito e o crédito (igual na contabilidade). Para cada crédito, tem-se um débito. A facilidade vem agora, mas depois a dívida será cobrada sem sombra de dúvidas, seja materialmente, seja espiritualmente. Aquele desvio da obra da creche irá refletir na vida dessa pessoa mais adiante. Aquela propina recebida do motorista embriagado será cobrada em dobro futuramente talvez até com a vida de um ente querido perdido em acidente de trânsito provocado por um bêbado.

A empresa é a imagem e semelhança de seus gestores. Um profissional decente que descobre que sua empresa está envolvida com falcatruas deve viver um inferno pessoal. Um confronto de valores nunca é bom para a carreira, e se ele não conseguir mudar os rumos desta política do mal, deve procurar se recolocar em uma empresa que lhe traga a dignidade que a honestidade merece. Não faltam casos de empresas do mal. Cabe a nós consumidores, boicotar o uso de suas mercadorias e/ou serviços. Sentindo no bolso o prejuízo de um imagem ofuscada, talvez estes que se acham donos do nosso brio, comecem a repensar sobre suas atitudes e exemplos.

É fácil dizer não para o incorreto, basta começar. Ninguém muda um mundo inteiro sozinho, mas cada um fazendo um mínimo esforço em não cometer e a condenar atos antiéticos, com toda certeza, em um futuro breve estaremos vivendo em uma sociedade mais correta e mais digna de seus atos.

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