Você também tem esta dúvida? Pois é, pessoas bilíngües, trilíngues, enfim poliglotas, são itens cruciais para um bom diferencial no currículo. Falar que o inglês, o espanhol são línguas básicas para o mundo dos negócios já tornou-se clichê.

A questão é: Qual a melhor forma de um jovem preparar-se para o mercado poliglota? Vale a pena fazer um intercâmbio? As empresas valorizam mesmo o jovem que se “aventura” no exterior?

Infelizmente, ainda não sabemos as respostas para estas questões. Mas para ajudar os leitores indecisos, fomos à busca da opinião de jovens que se jogaram para outros países a estudo ou a trabalho e também tivemos um bate-papo com uma profissional de RH para termos dois pesos e duas medidas. Ou seja, queremos saber se fazer um intercâmbio é viável e se as empresas valorizam isto na hora de contratar.

Já podemos iniciar com um fator positivo, o dólar. Este nunca esteve tão baixo nos últimos anos. O que obviamente facilita para quem está pensando em fazer um intercâmbio.

Para quem pensa que estudar lá fora é algo difícil engana-se. Escolas especializadas em intercâmbios nos EUA, Canadá, Austrália, Inglaterra estão cada vez mais preparadas para receber os latinos, e geralmente contam com um corpo docente que fala português, espanhol e até mandarim, para receberem e negociarem com maior facilidade o tipo de pacote a ser escolhido pelo aluno/cliente.

Geralmente, o emprego torna-se um empecilho para o jovem fazer um intercâmbio. Porém, os pacotes flexíveis são uma boa opção para quem não quer largar família, namorado (a), faculdade e emprego. Cursos intensivos de 4 ou 3 semanas são uma opção barata e muito interessante para quem não quer/pode ficar muito tempo lá fora. A preparação é tudo!

Já quem tem um pouco mais de tempo e dinheiro, pacotes semestrais, muitas vezes até com um emprego já fechado antes de sair do Brasil tornam-se opções excelentes. Esta é uma ótima alternativa para trabalhar, estudar e já custear o próprio intercâmbio por lá mesmo, (e se economizar, até fazer umas comprinhas para os amigos no Brasil).

Mas enfim, chega de papo, vamos aos fatos.

Conversamos com Gustavo Luis de Santana, 30 anos. Ele trabalha no setor comercial de uma grande indústria de Joinville – SC e comunica-se frequentemente com pessoas de vários países. Formado em Administração de empresas,  morou na Austrália de 2007 a 2010. Gustavo saiu do Brasil matriculado em um curso de General English por quatro meses e acabou extendendo sua estada por três anos. Ele estudou Inglês, Negócios Internacionais e trabalhou em restaurantes do oeste australiano.

Sobre Administração: Gustavo, para qual cidade da Austrália você foi?

Gustavo: Fui para Perth, capital do estado de Western Australia. Fui em agosto de 2007 e retornei em julho de 2010 totalizando três anos no exterior.

SA: O que fez com que você decidisse morar um tempo fora do país? 

G: Fiz a minha primeira viagem internacional em 2001 quando fui para o Peru passar 30 dias. Essa viagem abriu minha perspectiva de mundo. Voltei muito motivado e apaixonado pela idéia de conhecer outros povos e aprender outras línguas. Seis anos depois, já formado, e com alguma experiência de trabalho decidi unir o útil ao agradável e investi em minha carreira indo para o exterior.

SA: Qual era o seu nível de inglês na época? E o período fora, melhorou o seu idioma?

G: Eu tinha terminado um curso de dois anos em uma escola que me prometeu fluência em 24 meses. Ao final do curso eu tinha uma boa noção da língua. Mas só adquiri fluência depois de um ano na Austrália. O processo de aprendizado de uma língua é lento e passa por várias fases. Morando fora eu adquiri fluência, o que dificilmente eu conseguiria no Brasil. Também aumentei muito meu vocabulário com os eventos diários.

SA: Você acha que o seu intercâmbio é um diferencial caso você vá competir com um candidato igualmente qualificado, porém sem experiência no exterior?

G: Não acredito nessa idéia. Acho que se criou um mito e por um tempo endeusou-se pessoas que tinham experiência no exterior. Hoje em dia, com a economia mais forte e o dólar baixo, muitos brasileiros têm a oportunidade de estudar fora do país, desmistificando as viagens internacionais. Os diferenciais se darão com o esforço individual de querer aprender. Há muitos brasileiros que vão para o exterior e não se dedicam a estudar e acabam voltando sem falar bem o inglês ou o espanhol. Em minha opinião, um processo seletivo deve avaliar a capacidade que os candidatos têm para atuar no cargo em questão, sem discriminar quem não pode viajar ainda.

SA: Você pretende fazer outro intercâmbio e aprender mais um idioma?

G: Atualmente estou estudando espanhol para aprender bem as regras gramaticais e dominar a escrita. Quero muito aprender um bom espanhol e acredito que a melhor maneira com certeza é indo para o exterior. Adoraria fazer um MBA fora do Brasil. Acho que seria muito enriquecedor, pessoalmente e profissionalmente. 

SA: Que dica você deixa para quem está pensando em fazer um intercâmbio?

G: Não tenha dúvida, vá! Além da língua, se aprende muito morando fora. Desenvolvemos senso crítico, enxergamos nossas falhas, expandimos nossos limites, amadurecemos, aprendemos sob outro ponto de vista, derrubamos verdades até então absolutas e fazemos muitos amigos de muitos lugares diferentes.

O intercâmbio pode ser algo simples e fácil de ser feito. Depende apenas da vontade e empenho de cada um, além do investimento. Agora, vamos ver como as empresas analisam isto e se a experiência lá fora é mesmo valorizada pelos profissionais de RH ou se isto é um mito.

Conversamos com Juliana Alquini, Consultora de RH há 10 anos em uma empresa de grande porte, que é referência em seu setor. É formada em Psicologia e Pós-graduada em Gestão de RH. Trabalha atualmente com recrutamento e seleção focada em áreas administrativas, faz avaliações psicológicas para seleção de líderes e coordenadores. Acompanhe nosso papo com ela:

SA: Juliana, o intercâmbio é um diferencial para um candidato? Por quê?

Juliana: Vejo na prática que sim, além do valioso desenvolvimento do idioma percebe-se que a experiência internacional promove maturidade emocional. Os jovens que se expõem a uma nova vida longe dos pais, do seu porto seguro, saem da zona de conforto para se experimentar num novo mundo, onde vivem coisas que jamais viveram. E ganham muito mais do que milhas no seu cartão de crédito ou uma pilha de fotos para mostrar. Não é difícil ouvir alguém falar, após uma viagem, mesmo que curta, que voltou diferente, que repensou a vida e quer mudar algo, imagine então após um intercâmbio.

Mas voltando a pergunta, muito mais que a simples experiência em um país estrangeiro, o que ainda é diferencial nos currículos é o idioma fluente, independente se foi adquirido com uma vivência no exterior ou sem essa oportunidade, por próprio esforço e estudo.

SA: Para a avaliação, por parte do empregador, há diferença entre quem fez um intercâmbio de estudos para quem simplesmente “aventurou-se” no exterior?

J: Sim, por que quem faz um intercâmbio de estudos tem o foco de estudar, sendo assim, procurará pessoas com objetivos comuns para trocar conhecimento, por exemplo, para desenvolver o idioma a busca pela cidade/país precisa ser feita com cuidado. Pois, cidades onde existam muitos conterrâneos, conseqüentemente, não fará a pessoa pensar em outro idioma com tanta facilidade.

SA: Na sua empresa muitas pessoas fizeram ou pretender fazer intercâmbio de estudos ou trabalho?

J: Muitos já fizeram e tenho certeza que muitos ainda gostariam de fazer. Mas penso que existe a época certa para isso, é necessário planejamento financeiro e foco no objetivo do intercâmbio.

SA: Considerando a sua experiência no setor de RH o que você aconselha para os jovens que estão preparando-se para o mercado?

J: Não desaminem com a forte competitividade atual que existe no mercado de trabalho. Isto continuará a ser uma tendência para os próximos anos. Procurem seguir boas referências, colocar na prática os bons exemplos, mas não se compare com os outros. Compare-se com você mesmo, naquele que você foi ontem, naquele que você é hoje e em quem você quer ser amanhã. Assim saberá o que precisa ser feito para chegar lá!

Então pessoal, torcemos para que as dicas e informações tenham ajudado e incentivado àqueles que pensam há tempos em ir para fora do país porém só faltava aquele empurrãozinho. Procuramos ouvir os dois lados, de quem faz o intercâmbio e o de quem avalia os candidatos, para que possamos ter bons pontos de vista sobre o tema.

E vocês, pensam em fazer um intercâmbio? Já fizeram? Como foram as experiências? E aqui, na volta para o mercado de trabalho? Comentem, deixem suas opiniões e sugestões abaixo, participem!

Qualquer dúvida, entrem em contato pelo e-mail renatotexera@gmail.com ou sigam meu twitter @teixeira_renato. Abraço e até a próxima

3 COMENTÁRIOS

  1. Olá, tenho 18 anos e estou cursando Administração de Empresas.
    Renato Teixeira, suas dicas sobre intercâmbio forma muito ótimas! Daqui a alguns anos, pretendo fazer intercâmbio para adquirir conhecimentos da língua Inglesa.
    Abraço!

  2. Parabéns pelo Site e pelo post! Tenho que dizer que, na minha opinião, o site superou e muito o principal portal de administração do país. Melhor possível sempre!

    • Olá Geovani, como vai?

      Fico muito feliz em ler comentários como este, de pessoas que reconhecem nosso trabalho. Obrigado pelas palavras e pelo comentário. Estamos melhorando cada vez mais para sermos o melhor blog na opinião de nossos leitores. Estamos sempre em busca da excelência na produção de conteúdo de qualidade. Obrigado pelo reconhecimento. Grande abraço!

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