Nova e forte tendência na administração empresarial, a Gestão de Processos é uma área em franca ascensão na oferta de vagas de trabalho. De acordo com levantamento realizado pelo Instituto Avançado de Desenvolvimento Intelectual (Insadi) apenas entre os estados de São Paulo e Rio de Janeiro o número de profissionais atuando na área passou de 8 mil em 2004 para 19 mil nos últimos 12 meses.

O aumento deve-se ao crescimento de grandes corporações internacionais (como Siemens, Ticket Arccor Service, TIM e Unilever), nacionais (Banrisul, Camargo Correa, Grupo Gerdau, Petrobrás, Telemar e Serasa) e instituições governamentais (ANS, INSS, TCU, ANATEL e ANEEL) adotando este tipo de gestão para aumentar a eficiência e, conseqüentemente, a produtividade das organizações.

“Hoje cerca de 4,8 mil empresas, entre grandes e médias, no eixo Rio-São Paulo desenvolvem projetos na área. As empresas estão investindo neste modelo visando ganhos melhores e mais rápidos, mas faltam suficientes profissionais especializados”, afirma Dieter Kelber, diretor-executivo Insadi, entidade pioneira na disseminação da Gestão de Processos no Brasil.

Há aproximadamente 10 anos no país, a Gestão de Processos é uma metodologia que procura integrar as atividades de diversas áreas da empresa (vendas, financeiro, logística, marketing etc.) para tornar os processos mais eficientes. A área funciona como uma “ponte” entre a Gestão Estratégica da empresa e as suas diversas Áreas de Negócios, usando como suporte a Tecnologia da Informação (TI) e outros processos suporte, como os do RH.

Ela é quem colhe as informações sobre como funcionam os processos das unidades de negócios, propõe projetos de melhoria, busca junto a TI as ferramentas adequadas e coordena como deve ser implementado o projeto e colocado em prática junto aos colaboradores.

Os profissionais podem trabalhar em consultorias externas ou em um escritório de processos específico da própria organização. Diversas empresas optam ainda em alocar profissionais de processos dentro das unidades de negócios ou de apoio. A profissão possui, pelo menos, quatro especializações com salários que podem variar de R$ 2 mil a R$ 15 mil.

O primeiro nível é o de Mapeador e Modelador de Processos, no qual o profissional fica responsável por “desenhar” todas as etapas e atividades dos processos da organização, ou seja, como eles funcionam no momento. Depois está o Arquiteto de Processos, que monta um projeto para melhorar e otimizar as atividades, eliminar desperdícios, gargalos e retrabalhos, visando os processos ideais na “situação futuro”.

Logo em seguida está o Gestor de Projetos de Processos, que implementa o que foi projetado e transfere a condução para a área responsável e, por último, o Gestor de Processos quem irá gerenciar e controlar os principais processos e suas atividades da organização. Normalmente, nesta posição o profissional é interno da corporação.

Segundo Kelber, do Insadi, não é necessário uma formação acadêmica específica para atuar na área de Gestão de Processos, o caminho é traçado por meio de cursos de especialização ou mestrados nas áreas de Gestão de Processos e afins. No entanto, ele explica que a tendência são os profissionais de TI, Administração e Engenharia trabalharem nesta área por conta da proximidade do assunto e por existirem faculdades que já incluíram na grade curricular dos cursos de graduação e pós-graduação disciplinas relacionadas ao tema.

Roberto Pereira é um exemplo de profissional que atua na área. Gerente de contas da IDS-Scheer, ele é responsável pelos novos negócios de Gestão de Processos da multinacional alemã na América Latina. Formou-se em Administração com ênfase em Recursos Humanos e antes trabalhava no setor bancário. Sem nenhuma experiência na área, iniciou sua carreira em gestão de processos na consultoria Trevisan, atuando na implementação de processos de qualidade em grandes empresas. “A partir daí, foquei na melhoria contínua e investi em cursos de especialização em processos”, diz. Hoje, atua também como professor do Insadi e da Fiap (Faculdade de Informática e Administração Paulista).

Outro exemplo é João Carlos Malheiros Cunha, gerente de Processos do Banrisul (Banco do Estado do Rio Grande do Sul), que trabalhava em uma prestadora de serviços em TI para o banco. Em 96, fez um curso de Gerência de Processos Organizacional (GPO), mas somente três anos depois conseguiu iniciar projetos pontuais em Gestão de Processos no Banrisul.

O resultado foi tão positivo que há quatro anos a estatal criou uma Gerência de Processos, que hoje é coordenada pelo Tecnólogo em Gestão Bancária. “Quando fiz o curso percebi que tinha encontrado o caminho da ‘roça’, ou seja, a direção entre quem define as regras do negócio e quem desenvolve o sistema para atender o negócio. A Gestão de Processos é uma forma de resolver os problemas culturais entre Negócio e TI, comenta.”

Já Viviane Neiva Salyna, gerente de Processos Coorporativos e Planejamento de TI da Ticket Arccor Service, é formada em Psicologia e atuava em RH. Ela sentia que a área não tinha nenhum envolvimento com a estratégia de negócios da empresa. Então, fez uma especialização em gestão de produção para poder aproximar as duas áreas e estudar as tecnologias de processos.

“Fiz o caminho inverso. No entanto, hoje a cada decisão tenho uma visão ampla sobre os processos e as pessoas que irão executar os procedimentos. Por isso, hoje as organizações precisam estar montadas em três pilares: pessoas, processos e tecnologia.”.

Léa Simone Friedmann dos Reys, gerente de Excelência Operacional da construtora Camargo Correia, completa: “Com a gestão de processos é possível padronizar e automatizar uma grande parte das tarefas, permitindo assim que as pessoas tenham tempo para aplicar seus conhecimentos e competências em atividades de valor”. Ela é formada em matemática aplicada, foi programadora e ingressou na carreira na Deloitte atuando em projetos de Gestão de Processos.

Formação profissional
Para auxiliar a formação desses profissionais e a seleção por parte das empresas, o Insadi lançou recentemente a primeira Certificação Profissional em Gestão de Processos de Negócios do Brasil (CPGP). O objetivo é atender as novas necessidades empresariais e profissionais da área de processos de negócios. “Com a certificação o profissional poderá comprovar seus conhecimentos, competências e a sua experiência prática no campo da Gestão de Processos”, afirma o Kelber, diretor do Insadi.

A certificação será dividida em três níveis: o Mapeador e Modelador de Processos (Nível 1); o Arquiteto de Processos (Nível 2) e o Gestor de Projetos de Processos (Nível 3). No Nível 1 a certificação terá validade de um ano, no Nível 2 três anos e no Nível 3 cinco anos. Os requisitos para conquista da certificação estão no final do texto.

O Fórum Brasileiro de Processos – FBP (www.fbp.org.br) é o responsável pelo programa, cuja coordenação é feita que pelo Insadi e a sua validação por um Conselho de Certificação formado através de representantes de empresas e organizações do setor público e privado com ampla atuação e uso da gestão de processos no Brasil e exterior. Segundo o diretor do Insadi, os cursos preparatórios para o Nível 1, estão previstos para iniciarem a partir de julho e os Níveis 2 e 3 em 2008. Já os exames para certificação devem acontecer logo na seqüência no mesmo mês e em agosto.

Como ser um profissional de Processos?
Especialistas apontam as cinco as principais características para quem deseja atuar na área:

1) Ser questionador, saber fazer a pergunta certa para conseguir a informação que precisa;
2) Saber lidar com as pessoas e ter bom relacionamento interpessoal;
3) Ser paciente, pois como a profissão lida diretamente com as pessoas é necessário conquistar a confiança dos que estão envolvidos e que executam os processos;
4) Conhecimentos em sistemas de informação (como ferramentas de mapeamento e otimização de processos, ERP, BI, CRM, BPMS etc.);
5) Bom inglês

Completando seis anos de fundação, o Insadi é pioneiro e líder na divulgação e disseminação da Gestão de Processos no Brasil. Com escritórios em São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ) e Brasília (DF), a entidade realiza cursos, treinamentos, programas de desenvolvimento e consultorias através da sua unidade Business Processes School, coordena e promove as atividades do Fórum Brasileiro de Processos (FBP) e do evento anual da comunidade de processos, o “Business Process Day”.

Já a sua unidade Human Excellence promove trabalhos na área comportamental, onde usando a metodologia TAR desenvolve o alinhamento entre as competências técnicas e as de atitude, alinhando assim processos e pessoas.

Para Kelber, o principal propósito do trabalho é mostrar que a gestão de processos não se restringe à tecnologia, como costuma ser vista por outras áreas. “Ao contrário, como o seu próprio nome diz, ela envolve processos de negócios, o que abrange não só TI, mas todas as áreas envolvidas com o atendimento às necessidades dos clientes: marketing, vendas, RH, logística, finanças, etc. “E os profissionais de processos de negócios são os responsáveis por facilitar a integração dessas atividades”, considera.

Canal Executivo

Artigo extraído do site: www.administradores.com.br

1 COMENTÁRIO

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