>> Havaianas, o chinelo que virou artigo de moda

Por Bruno Mello
bruno@mundodomarketing.com.br

Havaianas é um dos casos de sucesso mais comentados no mundo dos negócios. Fala-se da propaganda com celebridades, da mudança de posicionamento da marca e do aumento do portfólio. Mas se o chinelo de borracha é hoje o mais celebrado no mundo, deve isso a uma mudança profunda no Mix de Marketing da marca que superou a sua categoria e virou artigo de moda.

“As legítimas” começaram a ser fabricadas em 1962 pela Alpargatas. “Foi uma marca lançada para a classe média que, com o passar do tempo, todo mundo passou a usar e o resultado é que ela acabou se popularizando demais”, conta Rui Porto (foto), Diretor de Mídia e Comunicação das Havaianas em entrevista ao Mundo do Marketing.

Este era o problema. A massificação do produto, por incrível que possa parecer, levou a rentabilidade aos menores níveis nos anos 1980 e o enquadrou na categoria de commodity. Com a fabricação de um único modelo, a operação corria riscos e não seria apenas mudanças na comunicação que alteraria este cenário. A estratégia da Alpargatas para Havaianas foi provocar uma mudança drástica no mix de marketing. “Mexemos em todos os compostos de marketing”, afirma Porto.

O marco Top

De acordo com o novo posicionamento posto em prática em 1994, o primeiro passo foi criar outros modelos do chinelo. A estréia foi com a linha Havianas Top que, com novas cores e formatos diferenciados, criaram uma segmentação do produto. Em seguida, a distribuição também passou a ser focada em nichos de mercado. Cada ponto de venda recebia um modelo diferente, de acordo com seu target.

Outra mudança foi na exposição do produto no ponto de venda. Ao invés das grandes cestas com os pares misturados, criou-se um display para valorizar o produto e facilitar escolha e, claro, impulsionar as vendas. “Sabíamos que a questão do PDV era muito importante”, informa Rui Porto. “Era querer demais que o consumidor mergulhasse dentro de uma cesta para achar o produto”, ressalta.

Agora sim, com o produto certo para as pessoas certas, muda-se a comunicação. Deixa-se de falar sobre o produto (as tiras não soltam e não tem cheiro), para destacar o usuário e suas atitudes. Entre as estratégias está o patrocínio de eventos de moda e o trabalho de assessoria de imprensa e RP junto aos formadores de opinião e a imprensa. Nos anúncios para TV, jornais e revistas, as campanhas mostravam o espírito de boas coisas brasileiras com artistas famosos colocando o pé à mostra com suas Havaianas Top. Com cenas irreverentes, os comerciais fizeram com que a marca fosse querida pelas pessoas.

Marca global

O resultado, em 12 anos, é que Havaianas virou artigo de moda e a marca se colocou do lado de grandes empresas internacionais como Channel, que, aliás, vende pares de sua marca junto com a de Havaianas numa ação de co-brand. Só em 2006, 160 milhões de pares foram vendidos, dos quais 10% foram para mais de 80 países espalhados pelo mundo. E se antes era apenas um modelo que ia no pé de todo mundo, hoje são 80, dos quais metade são destinados ao exterior.

O que mantém a áurea de um simples chinelo vivo é o fato de ter se transformado em marca. “Havaianas está ligado ao estilo da moda e como hoje ela é uma marca, como Channel, estará sempre na moda”, informa Rui Porto, que vê seu produto vendido desde a farmácia da esquina até às lojas mais requintadas de Paris e Nova York.

“Muita gente quer uma fórmula mágica do sucesso, mas não existe. Não foi do dia para a noite que tudo aconteceu. Começou em 94 e demorou três anos para decolar – foi um processo”, elucida o diretor. “E isso só foi possível graças ao comprometimento com a mudança, com investimento em pesquisa sobre o consumidor e comunicação”, garante Rui Porto ao site.

Acesse
www.havaianas.com.br

Mundo do Marketing : Publicado em 15/12/2006

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Equipe SobreADM

3 COMENTÁRIOS

  1. Olá,

    Não sei, eu posso até estar enganada, mas só quando as Havainas se tornaram sucesso e foram validadas como artigo fashion lá fora é que ela se tornou hip aqui no Brasil. Antes as pessoas aqui até podiam gostar, ter e usar, mas da porta da casa pra dentro. Pra fora, só depois de ser hit no exterior e mesmo assim ainda acho que em menor escala e aceitação do que tem por lá.

    Eu acho que a primeira impressão que ela deixou há muito tempo, por mais que o approach e a imagem tenham mudado, continua de uma certa maneira determinante sim. Ainda sinto muito pé atrás em relação às havaianas. E cito um grande exemplo disso: andando por Ipanema dá para ver pelos pés quem é turista, pois geralmente eles estão perambulando de havaianas, já os nativos da cidade, dificilmente usam a não ser é claro quando vão para a praia…

    XO

  2. Percebo que a marca no Brasil está elitizada sim, da mesma forma que está fora do país; porém o preço acessível permite que qualquer parcela da população coloque em seus pés qualquer modelo dos tais chinelos.
    Concordo com o comentário da Diandra, onde afirma que os chinelos Havaianas no Brasil era e é usado com mais periodicidade dentro das casas, portanto as propagandas massivas e espetaculosas, e na minha opinião – muito bem feitas, devem de alguma forma incentivar o uso dos chinelos também em outras ocasiões, e não somente ao ir à praia!

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