Trabalhei, há alguns anos atrás, num setor operacional que estava em pé de guerra. Caí lá de páraquedas, mas logo tive de pegar um fuzil e disparar contra o inimigo para não ser tratado como traidor. A guerra era contra a turma do outro horário do mesmo setor.

Quando a turma da manhã saia, geralmente deixava o material que usaram, e que seria usado por nós no período da tarde, todo desarrumado, o que irritava o pessoal. Então, como represália, quando largávamos, deixávamos tudo bagunçado, para que isso desse trabalho aos que chegaríam pela manhã no dia seguinte. Uma briguinha totalmente inútil, que só prejudicava à empresa por conta do retrabalho causado.

Passei, meses depois, para o horário matutino. Tive, dessa vez, que passar para o outro lado e deixar as coisas jogadas lá para os outros arrumarem à tarde. Em compensação, tinha que perder uma meia hora logo quando chegava, ajeitando tudo que foi deixado de qualquer jeito no dia anterior pelo pessoal do segundo turno.

Os gerentes caíram em cima. Fizeram reunião e expuseram que aquilo era ridículo, e era mesmo, e nos forçaram a trabalhar direito. Trabalhamos direito, por um semana, e voltamos a bagunçar feito crianças. Após mais reclamações, tudo foi quase normalizado. Ainda, infelizmente, existe uma richa entre os dois turnos naquele setor da empresa.

Analisando, agora de fora da briga, vejo que os gerentes tinham, em parte, razão em dizer que esses problemas de relacionamento entre turmas eram causados por conta da imaturidade de alguns dos colegas. Isso faz sentido sim, já que certos funcionários, de nível de instrução baixo, constantemente especulavam e provocavam atritos entre os turnos, o que alimentava a guerra interna.

Mas o que mais contribuiu para aquele clima ruim, na minha opinião, era a cultura adotada pela empresa. Por algum tempo, o que era pregado pelos gestores da organização era a política do “empurra com a barriga”. Uns adoravam protelar as coisas que deveriam fazer, outros jogavam a batata quente na mão de quem não tinha nada a ver, e ainda alguns simplesmente não cumpriam com suas obrigações propositalmente, pelo fato de terem proteção dentro da organização.

Integração entre seções da empresa é algo de extrema importância. Quando se consegue fazer com que todas as partes da corporação funcionem em conjunto, todas as atividades são agilizadas, os conflitos internos são amenizados, a comunicação interna é melhorada e passa a ter menos ruídos. Em suma, todos ganham quando todos trabalham unidos.

Porém, quando uma empresa preserva a cultura da falta de respeito e consideração entre gestores, premia a deslealdade visando somente os resultados e não dá a devida atenção ao seu RH, a integração é algo quase impossível de ser conquistado.

por Gabriel Galvão

www.administrando.wordpress.com e www.admemdebate.blogspot.com

 

4 COMENTÁRIOS

  1. […] Integração entre setores: desafio pessoal ou cultural? […]

  2. “Os dois a cultura da empresa se complementa ao empenho do colaborador , empresa sem cultura , é uma empresa que não têm foco , porquê se uma empresa não complementa dentro de um todo como será as suas responsabilídades sociais”..Danilce Braga

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