Nos últimos três anos, a quase totalidade dos trabalhadores que permaneceram no mesmo emprego conseguiu recuperar as perdas inflacionárias do período por meio de negociações salariais coletivas. É o que aponta um estudo do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) divulgado nesta quinta-feira (26), em São Paulo (SP).

O balanço das campanhas salariais concluídas durante o primeiro semestre deste ano indica a manutenção da tendência de aumentos salariais acima da inflação. Segundo o coordenador de Relações Sindicais do Dieese, José Silvestre Prado de Oliveira, 97% das 290 negociações concluídas nos primeiros seis meses de 2010 resultaram em ganhos salariais iguais ou acima da inflação.

Se analisadas apenas as negociações que resultaram em ganhos salariais reais (descontada a inflação), o resultado atingido no primeiro semestre de 2010 foi melhor dos últimos dois anos. Este ano, 87,9% (255 negociações) das campanhas resultaram em aumentos acima do Índice Nacional de Preços ao Consumidor(INPC), medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 2008 e 2009 estes percentuais foram de, respectivamente, 75,2% e 76,6%. O melhor resultado registrado anteriormente havia ocorrido em 2007 (87,1%).

Enquanto em 2008 nenhuma categoria conseguiu conquistar mais de 5% de aumento acima da inflação, em 2010 ao menos 16 das 290 negociações (5,5%) resultaram em ganhos reais de salário acima deste patamar. Consequentemente, o percentual de categorias que não conseguiram recompor as perdas inflacionárias foi menor que nos últimos dois anos.

O número de campanhas salariais que culminaram na concessão de reajustes abaixo da inflação foi menor que o dos dois anos anteriores. Apenas 3,1% das negociações não recompuseram as perdas inflacionárias, percentual bem inferior aos 8,12% registrados em 2008 e 7,2% em 2009.

“Os resultados são extremamente positivos. O crescimento era esperado, mas não há dúvida de que 2010 está se configurando como o melhor ano para as negociações salariais e eu aposto que este ano venha a se configurar como o melhor [da história]”. Para Oliveira, o bom momento pelo qual vem passando a economiabrasileira nos últimos anos possibilitou negociações mais vantajosas para os trabalhadores. “O desafio agora é ampliar a participação da renda do trabalho na renda nacional, o que tem que ser feito via o debate daprodutividade e de melhorias dos patamares salariais”, conclui Oliveira.

Aumento salarial limitado

Mesmo com a crescente melhora dos resultados das negociações salariais trabalhistas, a rotatividade da mão de obra tem impedido que o poder de compra dos trabalhadores cresça na mesma proporção dos ganhos de produtividade. Segundo o coordenador de Relações Sindicais do Dieese, José Silvestre Prado de Oliveira, a terceirização e a substituição de trabalhadores antigos por profissionais com salários mais baixos têm o “efeito danoso” de fazer com que o salário médio cresça pouco ou simplesmente não cresça.

“Salvo algumas exceções, um funcionário novo sempre é contratado por um salário menor do que o que era pago ao trabalhador mais experiente que foi demitido e isso provoca o achatamento da média salarial, mesmo quando o volume [a massa] salarial pago cresce de forma a acompanhar o maior número de pessoas contratadas”, disse Oliveira à Agência Brasil logo após a divulgação, em São Paulo (SP), do balanço das negociações salariais do primeiro semestre deste ano.

Para Oliveira, reduzir a rotatividade da mão de obra é um dos desafios que devem ser enfrentados, aproveitando o bom momento da economia brasileira, que resulta em boas negociações sindicais, com ganhos salariais reais para a maioria das categorias organizadas.

Para o sindicalista Atenágoras Lopes, da direção da Coordenação Nacional de Lutas (CSP-Conlutas), os trabalhadores também precisam aproveitar o bom momento para insistir na participação nos ganhos de produtividade das empresas. “Temos tido ganhos, mas quando se compara o aumento médio dos ganhos reais dos trabalhadores com o crescimento da produtividade por trabalhador, o abismo é enorme. Nós temos que incorporar este tema ou vamos seguir nos contentando com inflação mais 2% de aumento real”, concluiu Lopes.

FONTE: Agência Brasil de Notícias

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