por Ligia Aguilhar, Estado de S. Paulo

SÃO PAULO – O diretor comercial Norio Muneyuki Furuguem observa atento o desapertar de parafusos de monitores, celulares e televisores na fábrica da Ativa Reciclagem, empresa especializada no reaproveitamento de aparelhos eletrônicos e lâmpadas. Há cinco anos no mercado, a Ativa já está investindo em sua expansão, de olho nas novas oportunidades de negócio que devem surgir nos próximos meses.

A empresa estima que no ano que vem vai dobrar o faturamento anual de R$ 50 mil, devido ao projeto de lei sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no dia 2 de agosto, que criou a Política Nacional de Resíduos Sólidos. A lei – que aguarda regulamentação – incentiva a reciclagem e obriga fabricantes, importadores, distribuidores e vendedores de agrotóxicos, pilhas, baterias, pneus, óleos lubrificantes, eletroeletrônicos e lâmpadas a se responsabilizar pelo descarte de seus produtos, tornando necessário o uso da logística reversa – um conjunto de ações para facilitar o retorno dos resíduos aos seus geradores.

Com isso, surgem oportunidades de negócios nos setores de logística, indústria, varejo e, principalmente, nas áreas de comunicação, operações, administração e planejamento. “A lei vai fomentar novos negócis porque os volumes envolvidos são muito grandes”, diz o presidente do Conselho de Logística Reversa do Brasil, Paulo Roberto Leite.

Segundo ele, as empresas vão adequar a própria estrutura para atender à nova legislação, oferecendo redes de assistência técnica para receber seus produtos, por exemplo. No entanto, devem terceirizar alguns serviços. “Em todo o Brasil, haverá uma parcela de produtos a ser coletada pelas transportadoras e a necessidade de encontrar espaços para armazenagem e manutenção dos equipamentos”, afirma.

O diretor de responsabilidade socioambiental da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), André Luiz Saraiva, avalia que as oportunidades estarão no setor de comunicação. “As empresas vão ter que implementar ações para estimular o consumidor a devolver o produto e vão ter que falar com fabricantes e importadores para traçar a destinação adequada a esses equipamentos”, diz.

Ele destaca também a oportunidade de formalização dos catadores e recicladores de lixo, que poderão se tornar prestadores de serviço. “Certamente serão criados critérios e exigidas certificações para isso, então, é importante que os profissionais dessa área busquem licenciamento e capacitação.”

Há um ano e meio, a T-gestiona, empresa de logística, outsourcing e gestão de terceiros, investe em logística reversa. Ao perceber que grande parte dos celulares e modems devolvidos às empresas de telefonia e internet estava em bom estado, passaram a realizar a coleta, análise e triagem desse material. Objetivo: consertar e reaproveitar os equipamentos ainda em condições de uso e reciclar os que não poderiam voltar ao mercado.

Terceirização

Para fazer esse trabalho a multinacional conta com a ajuda de empresas fornecedoras, incluindo micro e pequenas, no transporte e reparo dos produtos. “Futuramente, nós queremos também trabalhar com empresas de reciclagem para transformar os produtos que não podem voltar ao estoque em algum item usado na nossa cadeia produtiva”, conta o diretor de logística, Marcelo de Souza. Atualmente, há 22 empresas prestando serviços de agendamento, coleta e fornecimento de material para a T-gestiona.

Já a Suzaquim, especializada em reciclagem de pilhas e baterias, espera dobrar a quantidade de matéria-prima reciclada – 350 toneladas por mês – com a nova lei. “O mercado vai expandir, a lei obriga a todos buscar a reciclagem”, diz a gerente técnica e comercial, Fátima Santos. Ela também prevê aumentar o lucro obtido com a venda da tinta para cerâmica, fabricada a partir do resíduo de pilhas e baterias.

Para trabalhar com reciclagem de lixo tecnológico é preciso obter autorização de órgãos municipais, estaduais e federais ligados ao meio ambiente. O conhecimento técnico é essencial, já que os equipamentos utilizados no processo são caros, o que leva as empresas a fabricarem sua próprias máquinas.

FONTE: Estado de S. Paulo

2 COMENTÁRIOS

  1. eu e meu marido estamos interessados em montar uma industria de logistica reversa em nossa região , interior de sp , mococa, como poderiamos entrar em contato com alguém desse ramo e quem sabe montar uma parceria, como vc pode nos ajudar? já estamos em contato com o sebrae que nos mandou visitar algumas industria desse tipo, vc tem como nos ajudar também nesse sentido ? aguardo reposta e agradeço desde já elena

    • Olá elena, tudo bom?

      Acredito que você já está bem amparada pelo Sebrae, eles possuem um excelente corpo de profissionais para ajudar neste momento. E com a visitação em outras empresas voc~es poderão conhecer melhor as práticas e ferramentas utilizadas. O benchmarking é fundamental neste momento.
      Desejo muito sucesso a vocês.
      Obrigado pela visita!

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