Por Sonia Jordão*

Agir corretamente hoje não é só uma questão de consciência. É um dos quesitos fundamentais para quem quer ter uma carreira longa e respeitada. Em escolhas aparentemente simples, muitas carreiras brilhantes podem ser jogadas fora. Atualmente, mais do que nunca, a atitude dos profissionais em relação às questões éticas pode ser a diferença entre o seu sucesso e o seu fracasso. Basta um deslize, uma escorregadela, e pronto. A imagem do profissional ganha no mercado a mancha vermelha da desconfiança.

Ser ético é uma característica fundamental. Cada vez mais as organizações estão adotando o hábito de checar o passado dos candidatos a alguma vaga. Quem tem a ficha limpa sempre terá as portas abertas nas melhores empresas do mercado. Mas afinal, como é esse profissional?

Ser ético nada mais é do que agir direito, proceder bem, sem prejudicar os outros. É ser altruísta, é estar tranqüilo com a consciência pessoal. É também agir de acordo com os valores morais de uma determinada sociedade.

Qualquer decisão ética tem por trás um conjunto de valores fundamentais. Entre eles: ser honesto em qualquer situação, ter coragem para assumir decisões, ser tolerante e flexível, ser íntegro, educado, fiel, humilde e prudente.

Empresas não são apenas entidades jurídicas, elas são formadas por pessoas e só existem por causa delas. Por trás de qualquer decisão, de qualquer erro ou imprudência, estão seres de carne e osso. E são eles que vão viver as glórias ou os fracassos da organização. Quanto mais uma organização se destaca no mercado, mais se deve preocupar com as relações éticas. Errar é humano, mas falhas éticas destroem carreiras e organizações.

Para saber se uma empresa é ou não ética é preciso verificar a maneira como ela se planeja e cria soluções para evitar deslizes e problemas. Prevenção é a palavra de ordem em qualquer organização que valorize a ética nos seus negócios e no ambiente de trabalho.

Ética gera questões extremamente delicadas e, na maioria das vezes, de foro íntimo. Não existe uma receita universal, pronta e completamente eficaz para resolver essas questões. A decisão sempre varia de pessoa para pessoa, de consciência para consciência. Cada um tem seus limites, impostos por suas crenças e pelas leis, e deve seguí-los.

O que fazer para andar com um pouco mais de segurança nesse terreno nebuloso? Eis algumas estratégias:

  • Não faça nada que não possa assumir em público.
  • Avalie detalhadamente os valores da sua empresa. Certifique-se de eles combinam com os seus.
  • Trabalhe sempre com base em fatos. Não julgue baseando-se em suposições.
  • Avalie os riscos de cada decisão que tomar. Meça, cuidadosamente, as conseqüências do seu ato em relação a todos os envolvidos.
  • Uma empresa ética exige não apenas produtos e serviços de qualidade, mas também de conteúdo ético: recolher impostos, remunerar dignamente, preservar a ecologia, o meio ambiente, interagir com lealdade e participar da comunidade.
  • Saiba ouvir. É aconselhável ouvir mais do que falar, especialmente em se tratando de reclamações e consultas de clientes.
  • Trabalhe bem com os temas polêmicos: todas as promessas ao cliente com relação a atendimento e prazos, inclusive as mais informais, devem ser rigorosamente cumpridas.
  • Evite rivalidades. É necessário cultivar boas relações dentro e fora das equipes.
  • Nunca se esqueça que ninguém negocia com empresas, mas com as pessoas das empresas. O caráter da empresa é o caráter que seus empregados têm.
  • Evite clientelismos, privilégios e deixar vazar informações. Também é ético assegurar-se de que as informações foram claras, completas, transparentes e bem recebidas pelo outro.
  • Não fume onde esta prática é proibida e apresente-se sóbrio ao trabalho.
  • Planeje suas ausências no ambiente de trabalho, sempre que possível, de modo a permitir fluxo normal das responsabilidades.
  • Demonstre interesse pelo próprio desenvolvimento, participando de reuniões, encontros e eventos de formação, treinamento e desenvolvimento.
  • Seja pontual em termos do horário de trabalho. Observe políticas, normas e procedimentos.
  • Zele pelo bom nome da empresa. Comunique-se, relacione-se, aja de forma irrepreensível, dentro e fora da organização.
  • Aja de modo participativo, compartilhado, de modo que um problema em qualquer ponto da organização seja responsabilidade de todos e de cada um.
  • Tenha moral elevado e contribua para manutenção do clima de trabalho em alto nível.
  • Zele pelo bom nome dos colegas. Varra de sua vida a fofoca.
  • Não se omita. Assuma seus erros. Quando perceber alguma coisa errada, procure ajudar a consertar.
  • Informações confidenciais não devem sair da empresa em hipótese alguma.

Ser e manter-se um profissional ético não é fácil de administrar, principalmente para nós brasileiros que fomos criados sob a ética da lei de Gerson, do jeitinho, da vantagem acima de tudo. Socialmente aprendemos que é preciso fazer o correto, mas na informalidade impera a idéia de que não há nada de errado em levar vantagem. Há corruptos em outros lugares do mundo, mas no Brasil pequenos delitos são apoiados e até elogiados por amigos e pela família.

Agir eticamente sempre foi e será uma decisão pessoal. Nunca se esqueça, porém, de que esse costuma ser um caminho sem volta. Para o bem ou para o mal.

*Sonia Jordão é especialista em liderança, palestrante, consultora empresarial e escritora. Autora do livro “A Arte de liderar – Vivenciando mudanças num mundo globalizado”. E-mail: contato@soniajordao.com.br Site: www.soniajordao.com.br

4 COMENTÁRIOS

  1. As duas passagens abaixo, me chamaram a atenção?

    "Não faça nada que não possa assumir em público."

    "Cada vez mais as organizações estão adotando o hábito de checar o passado dos candidatos a alguma vaga. Quem tem a ficha limpa sempre terá as portas abertas nas melhores empresas do mercado."

    Confesso que, a primeira coisa que me veio a cabeça foram os adolescentes de exibindo (fazendo sexo) na TwuitCam e, tantos outras atitudes, na maioria de cunho sexual que tem invadido a internet.

    Outra coisa que veio a minha cabeça foi a Infeliz declaração de uma estudante de direito sobre os Nordestinos.

    Fico pensando, se a empresa vasculha nosso passado, será que os protagonistas dos dois exemplos acima estarão condenados ao subemprego e ao fracasso profissional?

    Não é defendendo a atitude estupida da twitcam, nem a execrável, como do preconceito, mas , muitas vezes estas pessoas estão vivendo "fases". Eu por exemplo, morei em República, com muitos garotos e garotas na casa dos 20 anos. Aprontamos muito, mas a única diferença é que não registros distos.

    No entanto, mesmo aprontando bastante no passado, sou atualmente uma pessoa, profissional e pai de família ético.

    O que coloco a aqui foi a falta de "pegada" do texto, pois ética não tem a ver se você tomou um porre na adolescencia, mas sim, se, você cometeu algum delito, ou ato, geralmente voltado a sua área profissional.

    Por exemplo, elisão fiscal é combatida pelos órgãos públicos, mas tem respaldo legal. O contador ou administrador que emprega a elisão fiscal está sendo ético ou não?

    Aquela pessoal que, sempre foi um exemplo, nunca tomou um porre, tem uma "ficha limpa", etc, mas que desviou dinheiro de medicamentos o que contribuiu mesmo que indiretamente, para a morte de pessoas é ético?

    Este caso de "analisar o passado" e a exposição pela internet certamente nos fará repensar o que é ser ético ou não.

    Na minha opinião, a questão da ética é coisa extremamente subjetivo e merece análise profunda e inúmeros debates já que estamos vivendo, mesmo que não aceitamos, uma revolução em nossa forma de ver e viver o mundo.

  2. Há quem acredite que para ser ético hoje em dia é preciso ser herói. Afinal, o que você julgaria como um ato antiético? Você teria de certa forma, “autoridade” para julgar tal ato? A questão é que precisamos entender a diferença entre códigos de ética para códigos de conduta, e fundamentalmente o que definimos como ser ético. E quando você precisaria ser herói para ser ético? Seguimos o exemplo que hoje em dia com certeza você já vivenciou ou já presenciou. Você passa por um morador de rua, jogado no chão, com ferimentos, aparentemente necessitando urgentemente de socorro médico. Sua primeira ação é sentenciá-lo a seu julgamento pessoal.

    Ele está nesta situação por sua culpa, por culpa de sua família ou por culpa da sociedade? Na verdade, as pessoas pensam duas vezes mais antes de mexer no corpo do indivíduo, pelo medo da retaliação de alguma lei, ou seja, de ser julgado por algum ato causado a aquela pessoa. A questão é que devemos então, criar leis para sermos éticos? A ponto de sempre a lei, nos fiscalizar, se estamos sendo corretos e éticos ou não? Ou se sujeitarmos a arcar com as conseqüências do ato heróico e ajudar tal pessoa?

    Fiz um trabalho recentemente sobre este assunto, e lendo um artigo do professor Renato Janine Ribeiro sobre ética, comecei a questionar as diferentes formas de se ver a conduta ética na sociedade ou de cada indivíduo, para aqueles códigos de ética impostos pela empresa. No artigo, o professor questiona a maneira como ele vê os códigos de ética impostos pelas organizações: “Mas os códigos de ética, na verdade, são leis disfarçadas, leis light, promulgadas por quem não tem poder para legislar (por exemplo, uma empresa, uma associação profissional) – e não são textos que decidam, de maneira cabal, sobre o caráter ético ou não das pessoas. Não quero dizer que devamos violar os códigos de ética. São, geralmente, bons. Há exceções, é claro.

    Durante muito tempo se entendeu que a “ética profissional” consistia em não denunciar nem mesmo criticar o colega pelos absurdos que cometesse: isso se viu muito nas profissões liberais. E é óbvio que não há conduta mais antiética do que essa!”
    Na verdade, a ética imposta nas organizações e como é vista na sociedade, analisada após estes questionamentos como “códigos de bom samaritanos”, se dispõe de códigos de conduta.

  3. Ser ético nada mais é do que agir direito, proceder bem, sem prejudicar os outros. É ser altruísta, é estar tranqüilo com a consciência pessoal. É também agir de acordo com os valores morais de uma determinada sociedade.Qualquer decisão ética tem por trás um conjunto de valores fundamentais. Entre eles: ser honesto em qualquer situação, ter coragem para assumir decisões, ser tolerante e flexível, ser íntegro, educado, fiel, humilde e prudente.Esses valores tem que ser assumidos integralmente pelas pessoas, e assumi-las.

  4. Ser herói não garante ser ético. A ética vai muito além da aparência do que vemos e ouvimos. É a capacidade de se fazer respeitar por valores que não permitam burlar leis, exercer a liberdade com responsabilidade e saber reconhecer que temos direitos e deveres.

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