Mr President, o pão de queijo está servido!

No último final de semana tivemos o importante e tão esperado encontro em solo nacional entre a primeira mulher presidente do Brasil e o primeiro negro presidente dos EUA.   Tudo muito bem calculado e ornamentado pelo Itamaraty. Até a presença dos ex-presidentes desde Sarney tinha sua função, a de mostrar ao tio Sam que a festa da democracia e a liberdade tão valorizada por eles já são fundamentos sólidos por aqui.

Os EUA precisam garantir uma nova fonte de petróleo para reduzir sua dependência aos politicamente instáveis países árabes e pretendem também pegar uma carona em nosso crescimento como foi dito explicitamente por Obama. Apesar de ainda ser o nosso maior parceiro comercial, a participação relativa dos EUA em nossa balança comercial vem diminuindo nos últimos anos e a tentativa de recuperação da fatia de mercado perdida para os asiáticos da, ainda em crise, maior economia do mundo foi pautada com uma retórica muito simpática e poética baseada nas semelhanças históricas dos dois países por parte de Obama. Ocasião perfeita para começarmos uma relação de ganha-ganha e pleitearmos um assento permanente no conselho de segurança da ONU. As autoridades brasileiras avaliaram positivamente a declaração de Obama de que há a necessidade de reformar e ampliar o organismo para que ele seja mais “efetivo, eficiente e representativo”.

Recentemente, Obama já havia afirmado que gostaria de ver indianos assumindo a vaga em recente visita a Índia. O G4 formado por Índia, Brasil, Japão e Alemanha disputa essa vaga que permite, entre outras vantagens, o poder de veto. Apesar de não termos tido um apoio formal e explícito como no caso da Índia, trata-se de um primeiro passo para diminuição do ceticismo por parte da diplomacia de Washington em relação a esse assunto.

Quem assistiu às imagens do chefe de estado norte americano no Chile, após a visita ao Brasil, percebeu mais frieza e menos empatia e sinergia em seus pronunciamentos do que os feito em Brasília e no Rio.

A densa agenda de acordos bilaterais que foram assinados em diversas áreas como a de patentes, cooperação logística, estrutural e de segurança aos eventos esportivos (Olimpíadas e Copa do Mundo), desenvolvimento conjunto nas áreas de bicombustíveis para aviação, energia renovável, transporte aéreo, biodiversidade, intercâmbio nas áreas de educação e pesquisa, entre outros, são não apenas o primeiro passo para a ampliação dos negócios entre os dois países, mas uma oportunidade para a redução de obstáculos comerciais, particularmente no campo regulamentar que os empresários de ambos os países tanto almejam.

Toda a simpatia mútua do encontro histórico não fez com que a presidenta Dilma deixasse de lado a firmeza de que se esperava dela. Ficaram bastante claras as reivindicações brasileiras em relação ao fim das barreiras comerciais e ao protecionismo norte americano que subsidia a produção agrícola, de carne bovina, aço, etanol, suco de laranja, soja dentre outros e promove um desequilíbrio comercial entre os dois países. Reivindicações essas que desde o início da Rodada de Doha já vinham sendo feitas sem sucesso nos painéis da OMC a fim de se obter um livre comércio mais justo.

Se cada chefe de Estado que não votou a favor do fim das medidas protecionistas nas rodadas que se iniciaram em Doha tiverem que vir aqui comer pão de queijo, visitar o Cristo, tomar caipirinha, sambar e fazer embaixadinhas de maneira personalizada que assim seja. Dilma em reunião privada com Obama chegou a ameaçá-lo dizendo que se as exportações brasileiras aos EUA não crescerem ela intensificará as vendas para a China, processo já iniciado por Lula.

Usaremos de todas as nossas armas para conseguirmos uma simbiose comercial, e um relacionamento que seja produtivo e justo em busca do desenvolvimento.

2 COMENTÁRIOS

  1. É isso mesmo! Precisamos nos impor. Não defendo agressividade ou a postura de achar que os EUA são os "inimigos", mas as negociações devem se pautar por uma agenda que considere o quanto somos importantes e que queremos estabelecer uma relação de benefício mútuo.

    Adm. Bruno Saavedra

  2. Seu artigo não mencionou que oferecemos alcool como biocombustivel para os americanos, sendo que internamente não conseguimos nos abastecer com a produção atual. Cadê o subsídio para a produção, que não se reflete nos valoes cobrados nas bombas dos postos de gasolina?

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