Por Guilherme Neto
guilherme@mundodomarketing.com.br

Às vésperas de mais um aniversário, a Tectoy comemora a reviravolta da situação de quase falência enfrentada nos últimos anos. Alcançando faturamento de R$ 41,3 milhões em 2007, a empresa deve finalmente passar de fase e fechar o ano com patrimônio líquido positivo após mais de 10 anos.

Mas nem sempre foi assim. A Tectoy surgiu ainda no final da década de 1980, investindo em um ramo que começava a despontar no cenário mundial: os videogames. Naquela época, com a marca Tec Toy firmou uma parceria com uma das maiores empresas do Japão no ramo de videogame, a Sega.

Como representante oficial da companhia japonesa no Brasil, a Tectoy passou a fabricar com exclusividade os consoles da companhia parceira. Modernos para sua época, o Master System e Mega Drive foram sucesso de vendas em todo o mundo, inclusive no Brasil, principalmente por conta do personagem-mascote Sonic.

Marca investiu em jogos brasileiros
A boa aceitação do brasileiro abriu espaço para empresa investir na criação e adaptação de games, alguns deles utilizando personagens licenciados como Turma da Mônica e Chapolin Colorado. Esse bom resultado tornou a empresa referência no setor de videogames no mercado brasileiro.

A empresa também fez sucesso fabricando brinquedos eletrônicos, como a pistola baseada no desenho animado Zillion, sucesso na TV em 1988, ou o minicomputador de perguntas e respostas Pense Bem.

Fase difícil
Após essa boa fase, no entanto, a Tec Toy se viu em uma encruzilhada a partir da segunda metade da década de 1990: a Sega já não era mais a tão bem sucedida empresa de games de anteriormente. O Saturn e Dreamcast, consoles da companhia também fabricados no Brasil pela Tec Toy, não foram capazes de fazer frente aos novos videogames dos concorrentes, o que levou a empresa japonesa a desistir do ramo de consoles e focar apenas em jogos produzidos para videogames de marcas até então rivais.

Ao mesmo tempo, a questão da pirataria já era um mercado que despontava no Brasil e o Real encontrava-se desvalorizado em relação ao Dólar. O próprio mercado brasileiro de videogames não ajudava, devido a alta taxa de impostos e falta de incentivos oferecidos pelo governo federal para o desenvolvimento de games brasileiros.

Diversificação de produtos
Fatos como estes levaram a Tectoy a entrar em concordata em 1997 e amargar prejuízos anuais de mais de R$ 5 milhões. Para não enfrentar um GAME OVER, a empresa optou por investir em outros tipos de produtos eletrônicos, como DVD Players, e mais jogos licenciados, como o Show do Milhão – baseado no programa de TV do apresentador Silvio Santos – para Mega Drive. Isso possibilitou a empresa a sair do estado de concordata, no ano 2000.

A estratégia culminou em um plano de reposicionamento e revitalização da marca. Mesmo sem abandonar os games – que hoje representam cerca de 35% das vendas da empresa -, a marca investiu em uma linha de DVD Players e de TV Digital.

“Com os DVD Players, buscamos agregar valor com a inclusão de jogos e tapetes de dança, sem entrar na guerra dos preços de outras marcas”, explica Vanessa Artea, Gerente de Marketing da marca, em entrevista ao Mundo do Marketing. Outros lançamentos são o boneco eletrônico Nabaztag e o MobTV, receptor USB de TV Digital em formato de pendrive para computadores.

Videogames voltado para as classes C e D
O atrativo do preço foi o artifício usado em outro produto: os consoles de videogame. Apesar de uma defasagem tecnológica de cerca de 20 anos e concorrendo nas gôndolas contra videogames com tecnologia muito superior, a empresa ainda é a única em todo mundo a fabricar e vender no varejo os consoles Master System e Mega Drive (foto).

Custando cerca de 20% do preço dos consoles mais atuais, os produtos são voltados para os públicos de baixa renda e vêm ainda com dezenas de jogos incluídos na memória, eliminando despesas posteriores com jogos. “O cartucho passa a idéia de um produto defasado”, explica Vanessa. Outros atrativos são um design e embalagens atualizadas.

Sucesso com desenvolvimento de jogos para celular
Ainda no ramo de videogames, a empresa lançou a subsidiária Tectoy Mobile, desenvolvedora de games para celular. Atualmente, a companhia desponta como uma das maiores empresas do ramo no Brasil, focando em jogos voltados ao público jovem.

Além de representar a divisão da Sega para celulares, Sega Mobile, hoje a empresa trabalha adaptando jogos de diversas empresas estrangeiras como Taito e Bandai para os celulares disponíveis no mercado brasileiro, além de traduzir os games para o português.

“Nós também desenvolvemos jogos, através da Tectoy Digital. Já lançamos um jogo sobre o clube São Paulo (foto) e até o fim do ano lançaremos outro, coincidindo com o final do Campeonato Brasileiro. Estamos procurando desenvolver jogos com personagens licenciados também”, adianta João Marcos Oliveira (foto), Gerente Geral da Tectoy Mobile.

Ponto-de-venda é foco nessa nova fase
Para atrair vendas, a Tectoy resolveu apostar no ponto-de-venda. Por conta disso, contratou todos os funcionários terceirizados responsáveis pela área de trade. Essa foi a forma encontrada pela empresa de engajar os colaboradores em sua função e inspirar mais confiança com as empresas varejistas, o que possibilitou a conquista de um aumento de 15% no número de revendedores no ano passado. “Além disso, começamos recentemente a padronizar as embalagens dos novos produtos, reforçando a marca Tectoy”, conta a gerente de Marketing.

A partir daí, a empresa passou a investir freqüentemente em materiais de divulgação para PDV, além de ações de experimentação. A mais recente foi o espaço no Shopping Metrô Boulevard Tatuapé, em São Paulo, em parceria com a Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos (Abrinq), no mês de agosto. A empresa disponibilizou os consoles da empresa para as crianças em um espaço de 110 m². “Lançamos no ano passado oito produtos, um recorde em comparação aos últimos anos. A empresa está inovando e crescendo bem nessa nova fase”, comemora Vanessa.

FONTE: O excelente Mundo do Marketing.

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